24 fevereiro, 2014

6 mil milhões de euros em 5 anos de ajustes directos, sempre a abrir


O povo é que paga!
A democracia tem estes momentos de anarquia e libertinagem, em que OS GESTORES do dinheiro público, nem precisam de realizar concursos públicos, afim de obterem melhores preços, eles gostam mesmo é de ajustes directos. Oferecem o negócio a quem bem lhes apetecer e pelo preço que se quiser.
Mas o povo nada pode contra eles, nem contra o despesismo, e é forçado a trabalhar cada vez mais e mais, para pagar os abusos da liberdade, deles. Assim temos que, a excessiva liberdade de uns é a escravatura dos outros.

"Tudo serve em Portugal para gastar dinheiro dos contribuintes. 
Seja em festas, seja em brindes, seja a fazer pequenos favores a amigos, a realidade dos ajustes directos custa todos os dias muitos euros que saem dos bolsos de quem paga impostos. O pior é que muitas destas despesas, no mínimo, são de interesse duvidoso. Veja alguns exemplos eventualmente chocantes...

É profundo e recheado, o bolso do contribuinte, quando chega a hora de pagar despesa pública. E quem paga e não bufa nem sequer questiona se realmente precisa do serviço que acabou de comprar.
A listagem dos ajustes directos, feitos por organismos públicos, empresas do estado e autarquias, é um manancial de más despesas que o contribuinte, sem saber, paga. E paga bem.

Entre 199.296 registos inscritos no portal oficial dos contratos públicos na Internet (e que recolhe informação do 'Diário da República', das plataformas electrónicas de contratação e das entidades adjudicantes), alguns há que são, no mínimo, curiosos.
Mas já lá vamos.
Saiba, para já, que sem concursos públicos os contribuintes já pagaram 5.953.571.681,49 euros em ajustes directos. Isto só nos últimos cinco anos, no máximo - ou seja, desde que é obrigatória a publicação dos ajustes.

O mais caro de todos é o contrato entre o Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estrururas da Justiça, I.P., e a OPWAY- Engenharia, SA, para a "Empreitada de concepção/construção das Novas Instalações da Polícia Judiciária" em Lisboa. Vai custar 85.841.880 euros e foi assinado no princípio deste ano. Na segunda posição aparece o contrato entre o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, I.P., e a Max One - Material de Escritório, Lda.: só em aquisição de "tinteiros e toners" vão gastar, diz o portal, 20.191.227 euros.

Brindes em ouro
Por outro lado, ainda há boa gente nesta terra disposta a dar o suor do rosto a troco de coisa nenhuma. Veja-se o caso da empresa IMOHIFEN - Mediação Imobiliária, S.A. Para a "prestação de Serviços para Assessoria à Hasta Pública para Venda da Parcela de Terreno A, inscrita no plano de Pormenor das Praias Urbanas, na Costa da Caparica", vai receber zero euros. Ou então, veja-se o caso da empresa Recife - Desmontagem de Veículos, Ldª. Estes senhores vão fornecer "Serviços de Reboque e Parqueamento de Veículos, seu desmantelamento e fragmentação" ao Município de Braga, também pela módica e inexistente quantia de zero euros. Claro que a parcela vendida e os veículos desmantelados hão-de ainda render um tostãozinho...

Aliás, se há algo que as entidades públicas gostam de fazer, é dar coisas.
Só com a palavra "brindes" surgem no portal 97 ajustes directos, no valor de 822.307,65 euros.
O mais caro é o da "Contratação do fornecimento contínuo de brindes publicitários e merchandising" em 2009, assinado entre o Município de Loulé e a Marketing e Publ, Lda. Tem o valor de 54.965 euros.
Nesta lista dos brindes destaca-se ainda a manutenção dos ideais comunistas da Câmara de Almada. O executivo municipal assinou contrato com a Ourivesaria Coimbra, Ldª para a compra de "relógios em ouro". Ficaram os relógios, que são para oferecer, por 31.915,64 euros. Não consta que seja um para cada munícipe.

30 milhões em festarolas
Fazer festas é outra das predilecções nacionais. Há, com essa designação, 1.439 ajustes. Custaram as festas e romarias, por junto e em todo o País, nos últimos cinco anos, qualquer coisa como 29.119.915 euros (sim, leu bem, quase 30 milhões de euros). Foi muito José Cid, Xutos e Pontapés, "Nós Pimba", afins e foguetes pelo ar nestes últimos anos. A mais cara festarola de todas foi a "Produção dos Espectáculos das Festas do Mar 2010", em Cascais. O município pagou, à Point- Produção de Espectáculos, Lda, 332.352 euros.

A ocupação de tempos livres é uma actividade cara para uns, bem paga para outros. Pelo menos, é a sensação que fica quando se vê a lista das despesas do INATEL. A fundação que já foi "para a alegria no trabalho" tem 75 anos e pretende atingir "a promoção das melhores condições para a ocupação dos tempos livres e do lazer dos jovens, trabalhadores e seniores, desenvolvendo e valorizando o turismo social, a criação e fruição cultural, a actividade física e desportiva, bem como a inclusão e a solidariedade social". Para o conseguir, não olha a meios, ou melhor, não se faz forreta.
Veja-se o caso de Nuno Miguel P. J. Costa. Em apenas quatro dias de trabalho, a fazer "animação na distribuição de prendas" em Lisboa, Oeiras, Barreiro, Almada, Albufeira, Viana do Castelo, Covilhã, Loures, Sintra, recebeu 5.000 euros. Duzentos e cinquenta contos, dos antigos, por cada dia de trabalho a fazer "animação", enquanto alguém distribuía prendas.

Camarada tradutor
Ou, então, veja-se outro caso, o de Pedro Filipe Figueira Machado Ruas. Foi contratado para efectuar "trabalhos de tradução no âmbito dos diversos domínios e apoio ao desenvolvimento da actividade nas vertentes da Intervenção Social, Turismo e Hotelaria". Vai demorar 180 dias a fazer este trabalho e receberá 5.850 euros. O pior é que Pedro Ruas não é, nem nunca foi, tradutor. É politólogo e "presidente da Junta de Freguesia de Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão, em Grandola, e presidente da Juventude Socialista de Setúbal". Foi também "chefe de gabinete da anterior Governadora Civil de Setúbal, Eurídice Pereira". Fez parte da lista do PS à Assembleia da República pelo distrito de Setúbal, mas não chegou a deputado. Quem o contratou foi Vítor Ramalho, presidente do Inatel e presidente do PS de Setúbal, o mesmo que pagou à revista "País Positivo" 5.000 euros por uma entrevista. Nada de especial, tendo em conta que só pelos "serviços de angariação de publicidades para a revista Tempo Livre" o mesmo INATEL paga à R.V. Comunicação, Unipessoal, Lda, qualquer coisa como 193.000 euros.  
Não está mau para todos."  EDUARDO SÉRGIO 

Já agora uma informação interessante... Sabiam que o ministério da defesa, (decidiram eles), não tem limite para ajustes directos, podem comprar 2, ou 3 ou 4 submarinos, 10 tanques, não à empresa que fizer melhor preço, mas há que der mais luvas... ??
Dizem eles, que não se pode fazer concurso público porque o ministério da defesa tem direito ao secretismo... Tão secreto que fazem o que querem com o dinheiro público. E o resultado ficou à vista.
Vejam neste artigo as compras e despesismo...
As luvas
E as negociatas suspeitas

MAIS AJUSTES DIRECTOS
  1. Um sem fim de despesas
  2. 60 mil euros por oliveiras?
  3. 63 mil euros de flores
  4. ajustes directos 
  5. INATEL
  6. Sempre em festa
  7. Golf para os deputados
  8. Mais endividadas 
  9. Mais viajados
  10. Mais abusados
  11. Mais dançantes
  12. Mais despesistas
  13. Mais luminosos
  14. Gastos e mais gastos
  15. Festa continua
  16. o regabofe
  17. E os ajustes directos do Sócrates investigados
  18. E da Parque escolar



1 comentário :

  1. muito bem. Informar com rigor deve ser a tarefa de quem gosta que os eleitores não votem enganados ou em corruptos.

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