08 agosto, 2014

Águas de Portugal gastam mais de 1 milhão em computadores, tablets e afins.

Será para modernizar, com dinheiro público e depois privatizar? 
"De acordo com a nota publicada no Diário da República, a Águas de Portugal vai gastar 1,1 milhões de euros na aquisição de equipamento informático.
A empresa pública pretende gastar 323,5 mil euros em computadores de secretária, 522,9 mil euros em computadores portáteis, 23,2 mil euros em tablets, 141,5 mil euros em monitores e ainda 95,8 mil euros em equipamentos ‘all-in-one’.
A Águas de Portugal contava, no final do ano passado, com cerca de 5 mil colaboradores depois de ter reduzido em cerca de 200 o número de funcionários.
Em termos de resultados, a companhia estatal apresentou em 2013 um lucro de 104,7 milhões de euros (acima dos 93,8 milhões de 2012), beneficiando quer de um aumento do volume de negócios (que ascendeu a 816 milhões), quer de um desagravamento do resultado financeiro (que foi de 50 milhões negativos)." Negócios

Será para despedir e indemnizar com dinheiro público, e depois privatizar?
"Ministro do Ambiente quer menos administradores nas Águas de Portugal (2014)
Extinguir empresas e cargos de chefia das Águas de Portugal é a intenção de Moreira da Silva para completar a reestruturação do sector." EXPRESSO
"Dirigentes da Águas de Portugal custam 8 milhões/ano (2012)
Cabe à nova administração escolher os próximos gestores do grupo AdP.
Inicia-se esta semana a corrida aos mais de 400 lugares em aberto nos órgãos sociais do gigante que é o grupo Águas de Portugal, com a realização da assembleia geral da holding. A administração já é conhecida, com a inclusão dos autarcas Manuel Frexes e Álvaro Castello-Branco, e será a esta que caberá nomear os novos administradores das empresas gestoras dos sistemas multimunicipais. Das 32 empresas cujos relatórios e contas estão disponíveis, são 374 os lugares dirigentes e, entre remunerações e outras prestações acessórias, como carro, combustível, etc., em causa estão 8,3 milhões de euros por ano. Mas se tivermos em conta que as assembleias gerais têm, em regra, três elementos e se calcularmos uma média de cinco administradores por cada uma das outras oito empresas, o total é de 438 lugares." DN

Será uma privatização disfarçada?
"Privatização da EGF recebe 4 propostas vinculativas. Prazo de entrega das propostas terminou 2014-07-3.
O Governo recebeu quatro propostas vinculativas dos candidatos à privatização da EGF, a holding do grupo Águas de Portugal (AdP) para o setor dos resíduos.
Tinham sido admitidos sete candidatos que reuniam «as condições indispensáveis para poderem passar à segunda fase» : o agrupamento constituído pelas empresas Beijing Capital Group e Capital Environment Holdings Limited, a DST, o agrupamento constituído pelas empresas EGEO e a Antin Infrastructure Partners, o consórcio composto pela Odebrecht e Solvi, o formado pela Mota-Engil e Urbacer, a Indaver e a FCC.
A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas de norte a sul do país que têm como acionistas a empresa estatal AdP (51%) e os municípios (49%).
De acordo com a AdP, foi alienado 24,11% do capital social da Resinorte, empresa de resíduos do Norte Central e 10,61% da ERSUC, da zona Centro, permitindo um encaixe de 4,6 milhões de euros aos 12 municípios vendedores.
A privatização tem sido fortemente contestada pelos municípios e alvo de providências cautelares para tentar travar o processo.
A ação mais recente foi tomada pela câmara de Loures que anunciou ter apresentado uma nova providência cautelar contra a alteração aos estatutos da empresa de resíduos Valorsul, que serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona do Oeste, é uma das 11 empresas concessionárias pertencentes à EGF.
A Câmara de Loures já tinha interposto uma outra providência cautelar, que ainda aguarda decisão, para tentar travar o processo de privatização da EGF, depois de a primeira ter sido indeferida.
No final de maio, o Supremo Tribunal Administrativo ainda «admitiu liminarmente» a providência cautelar interposta pelos municípios da Resulima (empresa de resíduos que serve a região do Vale do Lima e Baixo Cávado) para suspender o processo de privatização, mas o Governo viria a evocar o interesse público para prosseguir. TVI

Pergunta Escrita de João Ferreira no Parlamento Europeu (2013)
Privatização da EGF - Águas de Portugal
Em Portugal, populações e sindicatos têm vindo a desenvolver várias acções contra a privatização do sector dos resíduos, em particular contra a privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF), chamando a atenção para a importância da gestão dos resíduos continuar no sector público.
Integrado na holding pública Águas de Portugal, o Grupo EGF, com 11 empresas, é responsável pela gestão dos resíduos em 174 municípios que abrangem 58 por cento da população. Tem mais de dois mil trabalhadores, dispõe de modernas tecnologias e infra-estruturas, à custa de vultuosos investimentos públicos, e movimenta anualmente cerca de 150 milhões de euros. Em 2011, este grupo gerou lucros de 6,4 milhões de euros.

Em face do exposto, e tendo em conta as pressões da Comissão Europeia para que esta privatização se concretize, solicito que me informe sobre o seguinte:
1. Como justifica estas pressões, à luz do disposto no Tratado, onde se garante a "neutralidade" da UE relativamente à propriedade - pública ou privada - de empresas como a EGF e outras?
2. Como pode justificar as pressões para que o Estado português abdique no futuro de uma fonte de receitas como a que o grupo EGF representa, indo parar a privados o que hoje constitui receita para os cofres do Estado, sobretudo depois dos vultuosos investimentos públicos realizados?
3. Tem presente os resultados das experiências de privatização em vários países, que se revelaram negócios ruinosos para o Estado, com prejuízos muito grandes para as populações e trabalhadores, tendo em conta a degradação dos serviços prestados e o aumento da precariedade laboral e a diminuição dos salários? Que avaliação faz das mesmas? PCP

Ajudar a evitar a privatização das águas em Portugal. Este será um dos objectivos da polémica alienação do capital da Empresa Geral do Fomento (EGF), do grupo Águas de Portugal (AdP), que representa o Estado em 11 sistemas multimunicipais de gestão de resíduos.
Embora explique que “as reestruturações em curso dos sectores do tratamento de resíduos e do abastecimento e saneamento de água devem ser vistas de forma autonomizada”, fonte do gabinete de Moreira da Silva garantiu ao SOL que “o Governo não pondera a privatização do sector da água”. O encaixe com a EGF tem “como destino exclusivo a amortização da dívida do grupo Águas de Portugal”. Em Junho de 2013, o grupo acumulava um passivo (dividas) de 6,4 mil milhões de euros, dos quais três mil milhões eram dívida financeira.

Embora a venda da EGF seja uma 'gota no oceano' - a empresa não deverá valer muito mais do que 200 milhões de euros, segundo os últimos dados disponíveis, apesar de o Governo sublinhar que este valor já não está actualizado -, esta operação foi a forma de evitar uma pretensão da troika inscrita no memorando de entendimento assinado por Portugal.
Em Janeiro de 2013, a previsão era “introduzir capital e gestão privados na companhia Águas de Portugal”, perspectivando-se então “uma estratégia” para o conseguir.
Na última avaliação a Portugal, em Fevereiro de 2014, assumia-se já um recuo: “A abertura das concessões de água a capital e gestão privados deverá levar mais tempo”, lê-se no relatório - sem, contudo, esta opção deixar de estar em cima da mesa.
Outro argumento de Moreira da Silva para sustentar esta privatização tem sido o “enorme” investimento que ainda tem de ser feito e para o qual o Estado não tem capacidade financeira. Até 2020, avançou o governante, será necessário um investimento de 350 milhões de euros no sector de tratamento de resíduos - embora o Executivo preveja que existam cerca de 200 milhões de euros de financiamento comunitário até 2020. Até 2034, serão necessários 645 milhões.

Factura da água 'mais baixa'
Moreira da Silva tem insistido também que a factura da água “não vai aumentar”, ao contrário do que indicam alguns estudos internacionais. Tal como o SOL noticiou há semanas, uma pesquisa da Universidade de Greenwich, no Reino Unido, indica que um dos riscos da privatização de sistemas de saneamento é o encarecimento das tarifas.
Mas o ministro sustenta que, através dos novos estatutos da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), fica assegurada a qualidade e eficiência dos serviços e que os preços se mantêm baixos. A previsão é mesmo que a factura da água diminua cerca de 20%.
Com o concurso público a decorrer, os autarcas não vão conseguir travar a privatização da EGF, acredita o ministro do Ambiente, que está “seguro da legalidade” de todo o processo de alienação do capital daquela empresa. (...)  sol.pt

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5 comentários :

  1. Quem faz reciclagem colaborando com a boa pratica de separar os lixos, dece sentir-se como o enganado que é o ultimo a saber.As Aguas de Portugal vão vender a divisão de reciclagem -feita exclusivamente pela boa vontade dos cidadãos sem qualquer lucro, nem que fosse creditos para aliviar na conta de residuos incluido na fatura da agua,por uns milhoes . Este despreso que em Portugal as classes instaladas têm pelo cidadão comum, em varias areas não têm sinais de abrandar. A ignorancia e desinteresse de que em varios países os cidadaos são compensados pela percentagem de reciclagem que entregam, ou os primeiros a decidirem se querem ser parte das torres eolicas instaladas na sua freguesia,faz que os eleitores papem todas as maningancias que os capangas entendem fazer. Como é possivel que bandidos que causam milhoes de prejuizo(e continuam ricos a poder pagar cauções milionarias) estejam a refastelar-se e um simples pequeno delinquente seja rapidamente engavetado sem que os cidadãos não se sintam revoltados e enojados?

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    1. Tudo o que relata acontece por não vivermos em Democracia, não que lá fora se viva, mas aqui as diferenças são muito maiores.
      Falando correctamente diria que existem melhores regimes que o português.

      No entanto não esqueço a popular frase "só temos o que merecemos".
      E na realidade acho que somos os culpados desta situação.

      Se o António reparar atentamente, não vê ninguém a apontar soluções. E os poucos que apontam são alvo de escárnio e maledicência; como pretexto principal, direita e esquerda.
      As outras soluções apontadas são tão intrincadas e opacas que só são entendidas e servem uma minoria.

      Isto não é de todo o que quero para Portugal, no entanto deixo que aconteça, pois sou só um.

      Cumps

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  2. Moreira da Silva faz parte do "gang" que domina momentâneamente o mundo, ele tb esteve em tempos na reunião do C Bilderberg, como por " magia" foi parar ao governo numa pasta importante como a do Ambiente... A missão dele é privatizar a água, concretizar o plano antigo. Uma das grandes riquezas de Portugal é a água, imaginem o desastre para o povo e até para o mundo se isto for parar ás mãos dos tarados psicopatas que tudo o que tocam esperam ver dinheiro e não se importam com o que destróiem. Investiguem na net tanto o passado recente deste sr. E notícias sobre a trilateral e a privatização da água... Vejam quem está nessa "onda"...

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  3. Há por aí algum advogado honesto e com coragem e ética, que possa ajudar a arranjar um plano que interdite o governo Português e as autarquias a privatuzarem bens essenciais? E quanto ás dividas como prender ou interditar estes criminosos que nos levaram á falência? Nas câmaras, sobretudo a de Lisboa quando esta for um dia investigada a sério, serão descobertos enormes rombos/roubos que deveriam ser parados, mas como? Alguém sabe uma solução, sem ser a metralhadora, guilhotina, ou algo semelhante?

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    1. Não acha que pedir um advogado honesto é pedir demais...
      Brincadeira...! Com certeza existem, confundindo-se com cidadãos comuns, na forma de vestir, pois ser honesto tem um preço, maior por ser neste país.

      Penso eu, que um advogado pouco poderia fazer, pois somos um regime que alguns teimam em chamar de Democracia (vá-se lá saber porquê), em que se é eleito quer o povo vote, quer não vote, e, como os interesses económicos estão alinhados pelos 2 principais partidos, o que veremos, vai ser mais do mesmo.

      Uma das soluções seria alterar as regras eleitorais, que pelo vistos não tem tido grande adesão. Aí..., não digo um..., mas vários advogados, poderiam ajudar a criar um programa eleitoral para um partido que nunca seria governo. Seria somente um programa eleitoral de um partido criado especialmente, para executar esse programa caso fosse eleito e automaticamente se extinguiria após a sua execução.
      Teria de ter financiamento suficiente para que chegasse aos portugueses todos, quer através dos media, quer através de agentes que o pudessem explicar aos portugueses. Não podemos esquecer que tinha de ter muito impacto mediático, dada a desinformação e contra informação que os grandes grupos económicos possuem.
      Aí, sim até acreditava que o rumo dos acontecimentos se pudessem inverter.

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