18 março, 2013

"Toda a dívida contraída através do Memorando é ilegítima".


A única forma de sairmos desta espiral de dividas ruinosas, seria criar uma Comissão de Auditoria à Dívida. Mas tal como aconteceu na Grécia, os donos do poder, nem querem colocar a hipótese na mesa, pois sabem que isso significaria descobrir as carecas dos que arruinaram Portugal. Expor, à vista de todos os portugueses, quem e como se endividou Portugal. Torna-se mais claro ainda de que tudo isto só pode ser uma estratégia nociva e premeditada, quando já conhecemos os resultados em outros países e as alternativas.
Por  isso não se trata de incompetência ou burrice do governo, trata-se sim de traição e conluio, com interesses estrangeiros.
Já antes tinha divulgado uma entrevista a Eric Toussaint., que esteve em Portgual, e falou sobre este tema. Mas recentemente um Grego, decidiu pedir ajuda a Eric Toussaint, e estas foram algumas das questões:
  • COMO OUTROS PAÍSES SE VIRAM LIVRES DO FMI?
  • QUAIS AS VANTAGENS E DESVANTAGENS?
  • PORQUE É QUE PORTUGAL E GRÉCIA NÃO O FAZEM?
  • BASTARIA PEDIR UMA AUDITORIA À DIVIDA? (etc)
"O vosso país é um laboratório onde uma nova terapia de choque está a ser aplicada".
Entrevista com Despina Papageorgiou
O Equador elegeu um novo Presidente, em Novembro de 2006, que, por decreto presidencial, criou uma Comissão de Auditoria à Dívida, em Julho de 2007, para analisar a dívida no período entre 1976 e 2006. Seleccionou dezoito especialistas, doze do Equador e seis do exterior. O politólogo e historiador belga Eric Toussaint era um deles. Eric Toussaint fala hoje à revista "Crash" e descreve como o mito de David e Golias se materializou, mais uma vez, no Equador, apesar das dificuldades encontradas. Após 14 meses de trabalho árduo, o Comité de Auditoria à Dívida produziu os primeiros resultados, declarando que uma grande parte da dívida era ilegítima. Na sequência, o governo cancelou essa parte, pagando aos credores apenas 35 cêntimos por cada dólar. Washington teve um ataque...

Uma década antes, o Equador era caracterizado como uma "democracia banana". Agora, segundo o jornal britânico "Guardian", é "o lugar mais radical e entusiasmante para se viver". Há mais benefícios sociais, os pobres recebem subsídios e os cuidados de saúde são totalmente gratuito. Os gastos públicos também aumentaram. A percentagem de pessoas que vive abaixo do limiar de pobreza caiu de 37,6% (2006) para 28,6% (2011).

Eric Toussaint (..), fundador e presidente do Comité para a Abolição da Dívida do Terceiro Mundo (...)Possui conhecimento e experiência para assegurar que há um caminho alternativo. Desde que haja vontade política.
Eric Toussaint afirma categoricamente que(...) a dívida criada pelo Memorandum é definitivamente ilegítima e/ou odiosa. Declara também publicamente, à nossa revista, que a sua organização e ele próprio apoiarão todos os esforços da Comissão de Auditoria à Dívida na Grécia. "É mais fácil vocês analisarem a vossa dívida do que foi no Equador”, afirma. "Então façam isso!".
(...) ex-primeiro-ministro grego pediu conselhos a Rafael Correa – (...) "Olhe", disse Correa, "há algo que não deve fazer e algo que, em definitivo, deve fazer, para não pagar.
Não deve pedir ajuda ao FMI. E deve criar um Comité de Auditoria à Dívida. "Depois Papandreou fez exactamente o contrário"...

A minha conversa com Eric Toussaint começou com a questão das eleições gregas. Comentei que a proposta para a constituição de uma Comissão de Auditoria à Dívida grega voltou a surgir durante o período eleitoral. "É sintomático, apesar de", disse eu, "a proposta ter sido rejeitada pelos dois partidos que governaram a Grécia durante décadas. Porque razão acha que eles não querem analisar a dívida e porque razão eles minam os esforços para o cancelamento da dívida?
«É claro que o PASOK e a Nova Democracia não estão interessados ​​em apoiar uma auditoria, porque uma auditoria irá mostrar a responsabilidade deles na dívida do país. Eles têm uma enorme parcela de responsabilidade pela dívida contraída entre 1990 e 2000 e pela nova dívida que surgiu com o Memorando. Para mim, essa é uma dívida ilegítima».
Convém mencionar que a dívida ilegítima é uma dívida 
- a) que foi decidida sem o consentimento da nação, 
- b) o dinheiro gasto vai contra os interesses da nação e 
- c) o credor tinha conhecimento desses factos . 
(...)"Como explica que a dívida seja ilegítima?" Perguntei a Eric Toussaint.
- (...) As regras estabelecidas pela Troika são uma violação dos direitos económicos e sociais dos cidadãos gregos, como é ilustrado pela redução de salários, diminuição de pensões, violação dos direitos económicos e sociais do povo grego. (...)A Troika diz que se deve aceitar. Se não se aceitam as regras, não se recebe ajuda. Tudo isso em total desrespeito pelos princípios democráticos do país. Em meu entender, a nova dívida, em 2013, representará grande parte da dívida externa pública da Grécia. Esta nova dívida é ilegítima e deve ser cancelada.

De facto, os bancos foram socorridos pelo BCE a juros de 1%...
O BCE concedeu empréstimos (em Dezembro de 2011 e Fevereiro de 2012) num montante de 1 bilião de euros (1 000 000 000 000 €), a juros de 1%, a três anos, para ajudar os bancos europeus. Os grandes bancos da Alemanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Áustria, e também os bancos gregos e italianos tiveram acesso a esse dinheiro.
E agora os países pedem emprestado aos bancos a juros elevados... «Eles recebem dinheiro a taxas de juro de 1% e depois emprestam esse dinheiro aos países periféricos a juros de 4, 5, 6 ou 7%.
Em termos de direito comercial, quando se concede esse tipo de empréstimos, que tiveram por base crédito concedido a taxas de 1%, viola-se os direitos comerciais. Esses credores enriquecem de forma abusiva».

Então, a dívida é apenas uma ferramenta usada pela elite financeira e política para financiar e controlar a população e impor determinadas políticas?
«É claro que a Troika usa a dívida grega para impor uma política que viola os direitos humanos do povo grego. A Grécia está a ser usada como um exemplo para chantagear outros países, como Portugal, Irlanda, Itália, Espanha - e impor o mesmo tipo de políticas noutros países. A Grécia não é uma excepção. A Grécia é um laboratório onde uma nova terapia de choque está a ser aplicada».
Isso leva-me à próxima pergunta. Num dos seus artigos recentes, escreveu que "a Europa recebe terapia de choque como a América Latina recebeu nos anos oitenta e noventa". Acha que a Europa entrou também já numa "longa noite neoliberal"?

A receita clássica do FMI...
«Exactamente. O que eles estão a fazer na Grécia foi implementado há vinte ou trinta anos na América Latina, nos países asiáticos e africanos e nos países do ex-bloco soviético».
E os resultados são óbvios...
«Falhou porque não gerou crescimento nem emprego.
Mas a verdadeira motivação não é o crescimento da economia, a verdadeira motivação do FMI e dos outros elementos da Troika, o BCE e a Comissão Europeia, é NÃO estimular o crescimento.
Eles sabem perfeitamente que, com este tipo de políticas, a Grécia não vai recuperar a nível económico. 
Eles não são estúpidos. Eles são espertos.
Eles estão a usar a crise de forma estratégica para reduzir os salários e o padrão de vida da população, porque querem um país e um mundo que proporcione lucros crescentes aos grandes grupos financeiros. Esse é realmente o motivo. Eles querem ajudar e fortalecer os grandes gupos financeiros como a Goldman Sachs, o Deutsche Bank, a JP Morgan e todos os grandes bancos privados na Europa e nos Estados Unidos.

Joseph Stiglitz, que não é um economista de esquerda, que ganhou o Prémio Nobel, em 2001, escreveu no seu livro "A Globalização e os seus Malefícios" que, analisando superficialmente as políticas do FMI, poderia parecer que são absurdas e orientadas para o fracasso, mas considerando que o FMI ajuda e serve os interesses do capital financeiro, percebe-se que as suas políticas são realmente coerentes e inteligentes».
E estão a persuadir a Grécia de que este é o único caminho a percorrer, mas, como sabe muito bem, há exemplos de países que cancelaram as partes ilegítimas da dívida. Um exemplo é, naturalmente, o Equador, onde participou na Comissão de Auditoria à Dívida. Poderia contar-nos brevemente como evoluiu esse esforço, como é que deu frutos?

«Primeiro, convém dizer que foi 100% bem sucedido. E sem retaliações.
O que fez o Equador?
Elegeu um novo Presidente, em Novembro de 2006, que, por decreto presidencial, criou uma Comissão de Auditoria à Dívida, em Julho de 2007, para analisar a dívida no período entre 1976 e 2006. Seleccionou dezoito especialistas, doze do Equador e seis do exterior. Eu era um dos seis estrangeiros. Também pediu para os órgãos de Estado fazerem parte da Comissão, a Comissão Anti-Corrupção, a Controladoria-Geral do Estado, o Ministério da Justiça e o Ministério das Finanças».

Então, o governo apoiou completamente a iniciativa.
Trabalhamos durante catorze meses e, no final dos catorze meses, em Setembro de 2008, entregámos as nossas conclusões e recomendações ao governo. Após dois meses de discussões, decidiram suspender o pagamento da dívida sob a forma de títulos.
É formidável, o processo demorou apenas desasseis meses, catorze para fazer o trabalho e mais dois para o governo actuar...

(...)Mas penso que enfrentaram dificuldades. Quer dizer, enfrentaram os credores internacionais, os bancos e o sistema. Foi noticiado que tinham desaparecido dos vossos quartos caixas com documentos do Ministério da Economia.
«É evidente que enquanto nós trabalhávamos, quem estava no poder, antes da eleição do novo Presidente, e que tinha subornado, ou assinado contratos ilegais que contribuíram para o endividamento do país, não queria fornecer-nos a documentação que precisávamos para o nosso trabalho. De certa forma, foi difícil, mas no final obtivemos toda a documentação que precisávamos.

No caso da Grécia, acho que em determinados aspectos, é mais fácil porque há mais informação disponível. Sabemos, por exemplo, quais são as condições impostas pela Troika, essas condições não são segredo. Podemos analisar exactamente o que a Troika fez com a Grécia nos últimos dois anos. Portanto, não é necessário ter acesso a segredos de Estado ».
A dívida do Equador tinha subido de 1,174 mil milhões de dólares em 1970 para 14,25 mil milhões de dólares em 2006. No entanto, era menor do que a dívida grega. Perguntei, então, a Eric Toussaint:
Dado que a Grécia está na zona euro e a sua dívida é superior à do Equador, acha que poderá ser mais difícil para a Grécia apagar a parte ilegal da dívida?

«Eu creio que é mais fácil analisar a dívida grega do que a dívida do Equador, que era mais complicada e dizia respeito a muito mais contratos do que no caso da Grécia. No caso do Equador, tivemos de analisar, um por um, os contratos do país com o Banco Mundial, o FMI, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, os 20 países do Clube de Paris, mas também a dívida (títulos) com os mercados.
No caso da Grécia, a maior parte da dívida está sob a forma de títulos ou de empréstimos da Troika. Por essa razão, acho que é mais fácil. No caso do Equador, a dívida seria relativamente menor, mas havia mais de cem contratos. Por isso, era mais difícil de analisar.
Lembro-me do que o governo de Correa declarou, através do então ministro das Finanças, Ricardo Patiño, - e foram respeitados por essa declaração: "Nós não aceitamos o que outros governos aceitam. Ou seja, que a nossa política económica seja ditada pelo FMI. Consideramos que isso é inaceitável. "Será que os gregos se atrevem a fazer o mesmo? Perguntei a Eric Toussaint:

O povo grego teme que, se analisar e, em seguida, cancelar a dívida ilegítima, poderá sofrer retaliações por parte dos mercados e poderá passar fome. No caso do Equador, não houve retaliações. Existe possibilidade de retaliação no caso da Grécia?
«Temos de ser claros. Eu disse que não houve retaliação, mas convém lembrar que o Equador não teve de ir mais aos mercados para financiar as suas políticas. Portanto, não houve retaliação, mas é claro que se deixar de pagar a dívida aos bancos privados, levará alguns anos até que os bancos aceitem financiar outra vez.

A questão é que a Grécia, nas actuais condições, deveria encontrar métodos alternativos para financiar as suas políticas e o seu desenvolvimento. A Grécia deve conciliar a suspensão dos pagamentos da dívida com a análise da dívida e reformar a sua política fiscal. Deve desenvolver uma política fiscal que funcione respeitando o princípio da igualdade. Eu deveria mencionar, por exemplo, que, na Grécia, a Igreja bem como o sector da defesa e o sector dos transportes marítimos estão isentos de impostos. As várias instituições e sectores do país devem contribuir para os impostos.
Tem de se elaborar um orçamento com base não só no dinheiro que vem do exterior, mas também com base no dinheiro gerado dentro do país. E, claro, eu não estou a dizer que se deve subir o IVA, sobrecarregando os pobres. Estou apenas a dizer que os sectores que não contribuem para o orçamento devem contribuir».
Entretanto, o povo grego será capaz de sobreviver?
A resposta deixou-me sem palavras:
«Se deixar de pagar, terá dinheiro! Se não utilizar o dinheiro para pagar aos bancos, poderá usar esse dinheiro para pagar salários, aumentar as pensões, pagar aos funcionários públicos, criar empregos, estimular a economia.
Foi exactamente o que a Argentina fez depois de deixar de pagar a dívida em 2001. Desde 2001, deixaram de solicitar financiamentos aos bancos privados e mercados. E a Argentina está a evoluir muito bem. O que a Argentina e o Equador fizeram foi aplicar impostos mais elevados aos grandes grupos. Insisto: isso não significa que a Grécia deve exigir à maioria das pessoas, aos pobres, para pagarem mais impostos. Eu defendo que os grandes grupos privados deveriam contribuir mais».

É sintomático que, sendo o Equador exportador de petróleo, recebesse apenas pequenas receitas provenientes das exportações, já que as multinacionais petrolíferas ficavam com a maior parte dos lucros. A situação mudou quando, em Julho de 2010, devido a uma lei aprovada pelo governo de Correa, a participação do Estado, nas exportações de petróleo, passou de 13% para 87% das receitas de crude. Sete das dezasseis empresas petrolíferas fugiram do país e foram substituídas por empresas estatais. As restantes ficaram. O aumento das receitas petrolíferas do Estado foi de 870 milhões de dólares em 2010.
Além disso, os impostos directos, aplicados principalmente às empresas, passaram de 35% em 2006 para mais de 40% em 2011. O projecto exigiu uma forte vontade política para confrontar interesses instalados. Também foi preciso enfrentar a elite nacional. O assunto conduz-me à questão seguinte:

Nós também teríamos de analisar as contas bancárias das pessoas que movimentaram a dívida? Fizeram o mesmo no Equador?
«Se queremos descobrir os casos de suborno, etc, é evidente que a lei deve prever o procedimento e o Ministério das Finanças deve chamar as pessoas indicadas para responderem a perguntas concretas sobre a sua riqueza, como é que enriqueceram, de onde veio o dinheiro que receberam e a fortuna que acumularam. Uma Comissão de Auditoria deve contar com a ajuda daqueles que controlam as finanças e do Ministério da Justiça».
Falou de subornos. Então, está convencido que há subornos?
«Em alguns casos, sim. Isso pode não ser o problema principal, mas é claro que havia contratos financiados por empréstimos, contratos para comprar equipamento da Siemens, etc. O Ministério da Justiça grego mostrou já que, no caso da Siemens HELLAS, havia uma quantidade enorme de subornos a políticos para se conseguir aprovar o contrato com a Siemens. Portanto, não é segredo. É bem conhecido».

No Equador, também descobriram subornos oferecidos por multinacionais e bancos. Poderia dar alguns exemplos, para além da Siemens?
«Houve pessoas no governo, nos anos noventa e até 2000, que receberam dinheiro para assinarem contratos com os bancos, para aceitarem condições favoráveis ​​aos banqueiros».
Quer dizer que os subornos foram oferecidos para que os funcionários aceitassem condições favoráveis às empresas e não aos cidadãos do país?
«Exactamente».
Lembra-se de algum caso?
«O Citigroup, mas a JP Morgan também estava envolvida. A JP Morgan é agora bem conhecida porque perdeu 2 mil milhões de dólares, há dez dias, em CDS.
E houve ainda a participação de advogados, em Nova York, que se especializaram no aconselhamento de bancos e governos e que receberam os seus honorários sob a forma de corrupção».

É claro que Correa significa - pelo menos até certo ponto – a "Revolução Cidadã", que prometeu quando chegou ao poder. O Presidente do Equador “meteu um golo na própria baliza” ocidental: apesar de ter sido educado nas universidades europeias e americanas - algumas delas consideradas fortalezas da Escola de Chicago -, quando chegou ao poder, pôs em prática o oposto daquilo que tinha aprendido. No entanto, hoje, é criticado pela própria esquerda que o acusa de não ter percorrido o caminho todo.
"Tem recebido notícias actualizadas do Presidente Correa sobre a abolição da dívida ilegítima?" Perguntei a Eric Tousssaint.
No caso do Equador, houve 100% de sucesso. Eu encontrei o presidente do Equador em Janeiro de 2011, dois anos após o trabalho da Comissão de Auditoria. Disse-me que foi um sucesso de 100% porque não havia retaliações contra o Equador. E que estava a pensar suspender outras partes do pagamento da dívida externa. Vamos ver o que faz. »

Há críticos que dizem que o Equador não percorreu o caminho todo, que não continuou com a auditoria à dívida tendo em conta os resultados mais recentes da Comissão...
«No momento em que estavam isolados, é natural. Mas eles poderiam ter feito mais e eles sabem disso. Por essa razão, estão ainda a pensar noutras partes do pagamento da dívida».
No entanto, o Equador pede, entretanto, emprestado à China a taxas de juros elevadas.
«Existem acordos entre o Equador e a China, para exploração de gasolina e de petróleo, e foi pedido emprestado algum dinheiro a empresas chinesas".
Eric Toussaint diz que não é representante da Presidência do Equador e que aprova simplesmente as iniciativas políticas positivas e critica as negativas.

A China tem sido o principal credor do Equador, após o incumprimento em 2008. O Estado aprovou um empréstimo de dois mil milhões de dólares, em 2011, ao“China Development Bank”. No entanto, as condições do empréstimo não parecem ter reduzido os gastos sociais: o Equador tem a percentagem mais elevada - em relação ao PIB – de despesas sociais (10%) de toda a América Latina e Caraíbas.

Em que condições a Grécia pode seguir o exemplo do Equador?
«Há dois cenários.
Se, após as eleições, um governo conservador adoptar a política da Troika, é impossível imaginar um governo desses a apoiar uma auditoria honesta. Esse é o primeiro cenário.
O outro cenário é se das próximas eleições resultar um governo (...)que denuncie o acordo com a Troika, deveria, de seguida, dar início a uma auditoria à dívida. Então, sim, nesse caso, será muito positivo. Esse governo saberá como revelar o que realmente aconteceu com a dívida grega. No primeiro cenário, com um governo que respeite o acordo da Troika, deve ser realizada uma Auditoria Cidadã totalmente independente do governo.
Gostaria de expressar publicamente que, em ambos os casos, se as pessoas quiserem levar a cabo uma verdadeira auditoria cidadã à dívida, nós apoiaremos essa escolha. Será possível no primeiro cenário. No segundo cenário, com um governo progressista que suspenda o acordo da Troika e que queira auditar a dívida, apoiaremos essa iniciativa com entusiasmo».

Suponha que a Grécia cancela uma parte da dívida ilegítima. Essa situação poderia desencadear uma "revolução" europeia contra a dívida?
«Se a Grécia fizer isso, haverá muita gente em Portugal e em Espanha, e espero que na Irlanda e na Itália, que apoiará essa decisão. E ela será também apoiada em países como a França, a Alemanha, a Bélgica, o Reino Unido. Nós estamos activos nesses países e temos uma campanha de solidariedade com a Grécia. A nossa campanha tem um apoio significativo. Eu não diria, de facto, não seria realista dizer, que as pessoas, em todos esses países, já entenderam o que está realmente a acontecer. Mas há uma parcela significativa da opinião pública que percebe que as condições impostas à população grega são totalmente inaceitáveis e há muitas outras pessoas, de vários países europeus, que esperam ver o povo grego emergir como um exemplo de país que recuperou a sua soberania, inspirando, assim, o surgimento de uma força alternativa na Europa».

Com esta visão de uma outra Europa democrática podemos concluir a nossa conversa com Eric Toussaint. As suas últimas frases ficaram a ecoar durante muito tempo na minha mente: a Grécia poderia liderar o caminho de saída da Europa da "longa noite neoliberal".
"Farei uma oferta que não pode recusar" foi a frase memorável do "Padrinho" Marlon Brando no conhecido filme. De um modo semelhante, a Grécia parece estar a ser chantageada a respeitar o protocolo. Mas a chave para entender a postura da elite internacional em relação ao país encontra-se nas palavras do juiz para com os membros da máfia no mesmo filme: "A maçã podre pode estragar o barril" …

... De acordo com o exemplo “da maçã podre” (que Noam Chomsky usa com frequência), a razão pela qual os EUA queriam punir Cuba não era porque Fidel Castro representasse uma ameaça real. O maior medo era que a "maçã podre" - o líder cubano - inspirasse outras pessoas e criasse um efeito dominó que apodrecesse o barril todo. De facto, quando a América Latina calvagou a "onda de líderes vermelhos" que rompeu com o "Consenso de Washington", Washington experimentou o seu maior pesadelo.
No caso da Grécia, se as "cobaias ocuparem o laboratório" - como diz Costas Douzinas -, se a Grécia esvaziar a política da Troika e provar que as democracias não têm becos sem saída, nem soluções únicas, a Europa rumará em direcção à democracia . Nesse caso, é óbvio, as "maçãs" não vão apodrecer. Vão amadurecer..." fonte e artigo mais completo. 

14 comentários :


  1. Este excelente artigo vai de encontro ao que sempre pensei.
    É uma máfia financeira internacional e uma máfia local(Os nossos políticos NOJENTOS) juntas a trabalhar para um único fim.
    Viver á grande sem trabalhar e perpetuarem-se no poder. E para o qual controlam igualmente a comunicação social.

    A Máfia do FMI arrebentou com a Argentina e muitos países da América latina.
    O FMI é o toque de Midas ao contrário.
    Tudo o que toca é para destruir e abandalhar.

    Já viram o que vão fazer aos Cipriotas?
    Que bela democracia esta que os Gangs da Banca podem tirar o dinheiro ás pessoas legalmente.
    Obsceno, nojento.









    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O mais obsceno é que já se conhecem casos anteriores do insucesso dos países que se submeteram ás politicas do FMI, e os casos de sucesso dos que as rejeitaram. Portanto isto diz tudo.

      A ideia é manter os países escravos, constantes devedores, produtividade zero, economia zero, e submissão total.
      Estes são os povos ideias para fazer crescer os grandes da banca internacional e ampliar o seu domínio e poder.
      Há-de chegar o momento em que eles decidirão quem vive e quem morre, quem come e quem passa fome, quem terá direito a médicos e quem deve padecer em agonia... quem tem direito à água e quem fica à sede.

      Ainda ontem li """Homem morre após ser rejeitado 36 vezes por hospitais em Saitama"" durante 2 horas os paramédicos tentaram ajuda e foi recusada alegando falta de camas e médicos....

      É isto que nos espera, e é isto que ninguém vê... O mundo está a ser desenhado, para que a eles não falte nada, e para nós as sobras, mas conhecendo como conhecemos a sua ganancia, já podemos calcular o que sobrará.

      Eliminar
    2. Link do artigo que citei.... http://portalnippon.com/nippon-news/japao/homem-morre-apos-ser-rejeitado-36-vezes-por-hospitais-em-saitama.html

      Eliminar
    3. Parece que esta admirado com isto?? a sua admiração é de espantar...isto é assim a 37 anos...

      Secalhar também acham que o 25 de Abril foi realizado para bem do Povo Português?Não quero acreditar...acham mesmo Portanto...

      O 25 de Abril foi realizado pela escorja Portuguesa Militar e Civil que não queria trabalhar e cumprir com as suas responsabilidades...como a pessoa que governava Portugal era rigida(Sabia o que os Portugueses eram), não dava hipotse a esta corja de banda-lhos de puderem usurpar o que este Homem tinha conseguido Juntar...Claro falo do Sr. Oliveira Salazar...o unico que enriqueceu o Pais e morreu com mil e picos contos no "bolso", do homem que até o botão da camisa sabia pregar...

      Desta corja havia 2 grupos , Militar e Civil.

      Militar...como sabemos a guerra do Ultramar era a sério, e portanto os militares era suposto cumprirem com os seua deveres de defender a Pátria....errado...eles foram para militares porque lá davam cama, comida e roupa lavada..
      No entanto juraram defender Portugal e cumprir com as suas obrigações...quando chegou a hora H e começaram a ver que se morria na guerra...queriam continuar a ser militares, e a terem cama, comida e roupa lavada, mas guerra não...boa vida isso ja era bom...logo Portanto os Golpes de Estado começaram a fazer sentido!

      Civil...como ja foi referido havia uma corja de devassos que não querendo ganhar a vida de forma justa , estavam a espera da oportunidade exacta para que podessem se apuderar dos bens de todos nós...essa oportunidade surge durante a guerra colunial, com o Parceiro Militar.
      Estava feita a parceria ideal para realizar golpes de estado e para que assim pudessem usurpar patrimonio alheio..

      O resto ja todos vocês sabem , esta parte é que parece que ninguém quer contar...(ironicamente) não percebo bem porquê?!

      As fontes sãos os artigos da RTP sobre a epoca e Diario da guerra de um Jornalista portugues...

      Que ninguém pense que os Militares que fizeram o 25 de Abril , Abrigados de uma Corja CIVIL,(para lhes dar autoridade), foram uns heróis...foram foi uns traidores á pátria, e a todos os Portugueses!

      É pena que as pessoas sejam limitadas e como tal tenham limitações a nível de memoria/capacidade de processamento...mas este é o nosso Pais...quem não quiser que viva noutro , como eu faço, pois não tolero tamanha imbecilidade/Criminalidade!!

      Tenho Dito!

      Eliminar
    4. Porque é que você escreve como anónimo e não coloca o seu nome? Anónimos são muitos...e porque não assume com o seu nome o que afirma? E já agora não confunda o que é inconfundível, quando pretende defender a oligarquia monopartidária do estado novo, de características violentas e terceiromundistas, de pobreza extrema, subdesenvolvimento e analfabetismo com a oligarquia pluripartidária reinante que não obstante ser campo fértil para a corrupção e o domínio da classe política, sistemas financeiros, e grupos coorporativos, desenvolveu o país, modernizou-o, e colocou-o num patamar bem mais digno. Ouça lá òh anónimo veja lá se percebe que o que se trata agora é de substituir um sistema corrupto pluripartidário, sem cidadania democrática soberana, por um sistema de sociedade mais justa e democrática depurando-a das elites partidárias e dos seus negócios sujos e das corporações apendices ao estado que vivendo à sua custa sorvem a riqueza que produzimos como população anónima e desta forma também servem uma estratégia mundial instalada para controlar e empobrecer enriquecendo corporações multinacionais. Se tiver algum contributo válido para isso escreva...se não tiver, abstenha-se de vomitar salazarismo decrépito e inconsequente.

      Eliminar
  2. "Homem morre após ser rejeitado 36 vezes por hospitais em Saitama"

    Simplesmente asqueroso!
    E não há processo crime por homicídio?
    Pois se for o Governo e mafias do guito não é crime.

    ResponderEliminar
  3. Os juros dos empréstimos bancários - por Juan Torres López ( Professor catedrático do Departamento de Teoria Económica na Universidade de Sevilha.) - 1ª Parte

    "Qualquer pessoa que tenha precisado de devolver um empréstimo sabe o que significam os juros na hora de pagá-lo. Um empréstimo recebido, por exemplo, a 7% ao ano suporia ter de devolver quase o dobro do capital recebido ao fim de dez anos.

    Tanto é o peso dos juros acarretados pelos empréstimos que durante muito tempo considerou-se que cobrá-los acima de determinados níveis mais ou menos razoáveis era considerado não só um delito de usura como também uma acção imoral, ou inclusive um pecado grave que condenaria para sempre quem o cometesse.

    Hoje em dia, contudo, quase todos os governos eliminaram essa figura delitiva e parece a toda gente natural que se cobrem juros legais de até 30% (isto é o que cobram neste momento os bancos espanhóis aos clientes que ultrapassam a sua linha de crédito) ou que haja países afundados na miséria não exactamente pelo que devem e sim pelo montante dos juros que hão de pagar.

    Os países da União Europeia renunciaram a ter um banco central que os financiassem quando precisassem dinheiro e portanto têm que recorrer à banca privada. Em consequência, ao invés de financiarem-se a 0%, ou a um juro mínimo que simplesmente cobrisse os gastos da administração da política monetária, têm de fazê-lo e 4, 5, 6 ou inclusive a 15% em certas ocasiões. E isso faz com que a cada ano os bancos privados recebam entre 300 mil milhões e 400 mil milhões de euros em forma de juros (tenho, então, de explicar quem esteve e porque por trás da decisão de que o Banco Central Europeu não financiasse os governos?),

    Os economistas franceses Jacques Holbecq e Philippe Derudder demonstraram que a França teve de pagar 1,1 mil milhões de euros em juros desde 1980 (quando o banco central deixou de financiar o governo) até 2006 para fazer frente à dívida de 229 mil milhões existente nesse primeiro ano (Jacques Holbecq e Philippe Derudder, La dette publique, une affaire rentable: A qui profite le système?, Ed. Yves Michel, París, 2009). Ou seja, se a França houvesse sido financiada por um banco central sem pagar juros teria poupado 914 mil milhões de euros e a sua dívida pública seria hoje insignificante.

    Na Espanha verificou-se o mesmo. Nós já pagámos, por conta dos juros (227 mil milhões no total desde então), três vezes a dívida que tínhamos em 2000 e apesar disso ainda continuamos a dever o dobro do que devíamos nesse anos (Yves Julien e Jérôme Duval, España: Quantas vezes teremos de pagar uma dívida que não é nossa? ). Eduardo Garzón calculou que se um baco central houvesse financiado os défices da Espanha desde 1989 até 2011 a 1%, a dívida agora seria também insignificante, de 14% do PIB e não de quase 90% (Situação do cofres públicos se o estado espanhol não pagasse juros de dívida pública) .

    E o curioso é que este juros que os bancos cobram às pessoas, às empresas ou aos governos e que lastram continuamente a sua capacidade de criar riqueza não têm justificação alguma.

    Poder-se-ia entender que alguém cobrasse um determinado juro quando concedesse um empréstimo a outro sujeito se, ao fazê-lo, renunciasse a algo. Se eu empresto a Pepe 300 euros e isso me impede, por exemplo, de passar um fim de semana de férias com a minha família poderia talvez justificar-se que eu lhe cobrasse um juro pela renúncia que faço das minhas férias. Mas não é isso o que acontece quando um banco empresta. "

    ResponderEliminar
  4. Os juros dos empréstimos bancários - por Juan Torres López - 2ªParte

    "O que a maioria das pessoas não sabe, porque os banqueiros encarregam-se de dissimular e de que não se fale disso, é que quando os bancos emprestam não estão a renunciar algo porque, como dizia o Prémio Nobel da Economia Maurice Allais, o dinheiro que emprestam não existe previamente e, na verdade, é criado ex nihilo, ou seja, do nada.

    O procedimento é muito simples e o explicamos, Vicenç Navarro e eu, no nosso livro Los amos del mundo. las armas del terrorismo financiero (p. 57 e seguintes):


    "Suponhamos que Pedro se deixa convencer por um banqueiro e deposita os 100 euros de que dispõe num banco, em troca do recebimento de um juro de 4% ao ano. Nesse momento, o banco faz duas anotações no seu balanço, que é o livro onde regista suas contas:

    - Por um lado, anota que tem 100 euros como um activo (os activos são os bens ou direitos sobre outros possuídos por alguém) e, mais concretamente, em dinheiro metálico entregue por Pedro.

    - Por outro, anota que tem um passivo (os passivos são as obrigações de alguém) de 100 euros, uma vez que esse dinheiro é na realidade do Pedro e terá que ser devolvido no momento em que ele o reclame.

    Ao ser feito este depósito tão pouco mudou a quantidade de dinheiro na economia. Continua a haver 100 euros, ainda que agora estejam fisicamente em outro lugar, na caixa do banco.

    Agora suponhamos que outra pessoa, Rebeca, precisa de 20 euros e vejamos o que acontece na economia se Pedro lhe empresta essa quantia ou se for o banco que o faz.

    Se Pedro tem 100 euros e dá 20 em empréstimo a Rebeca a quantidade dinheiro existente na economia continua a ser a mesma: 100 euros, só que agora 20 estão no bolso da Rebeca e 80 continuam no de Pedro. O empréstimo entre particulares não alterou a quantidade dinheiro total ainda que produza um efeito importante: Pedro renunciou a poder gastar uma parte do seu dinheiro, os 20 euros que emprestou a Rebeca.

    Mas o que acontece se não for Pedro quem dá um empréstimo de 20 euros à Rebeca e sim o banco?

    Rebeca irá certamente atemorizada à agência bancária a perguntar-se se o senhor banqueiro lhe fará o favor de concedê-lo. Mas o banqueiro não tem dúvida: desde que recebeu o depósito de Pedro está a pensar que este, com toda a segurança, não vai retirar de repente a quantidade depositada, de modo que se deixar uma parte desses 100 euros depositado para atender aos seus reembolsos e encontrar outra pessoa que deseje um crédito pode fazer um bom negócio desde que lhe cobre mais do que os 4%.

    Quando Rebeca chega ao seu banco, o banqueiro esfrega as mãos e, ainda que certamente disfarce para dissimular quem faz o favor a quem, conceder-lhe-á a seguir o empréstimo desejado de 20 euros a uma taxa certamente superior a 4%, digamos que a 7%.

    Suponhamos que lhe põe essa quantia à sua disposição num depósito em seu nome e que lhe entrega alguns cheques ou um cartão com os quais pode utilizá-lo.

    Quanto dinheiro há na economia no momento em que se concedeu o referido crédito?

    Como a imensa maioria das pessoas pensa que o dinheiro é simplesmente o dinheiro legal, responderá que continua a haver 100 euros. Mas se entendemos que o dinheiro é o que é, ou seja,
    meios de pagamento, veremos claramente que há mais: Pedro pode fazer pagamentos com o seu livro de cheques no valor de 100 euros e Rebeca pode gastar os 20 euros que lhe deram de empréstimo. Portanto, desde o próprio momento em que se tornou efectivo o empréstimo, na economia há 120 euros em meios de pagamento. Não foram criadas nem moedas nem papel-moeda (continua a existir no valor de 100 euros) mas sim meios de pagamentos a que chamamos dinheiro bancário no valor desses 20 euros".

    ResponderEliminar
  5. Os juros dos empréstimos bancários - por Juan Torres López - 3ªParte

    "É assim que os bancos criam dinheiro a partir do nada quando dão um empréstimo. O BANCO CRIA DINHEIRO NA MEDIDA EM QUE CRIA DÍVIDA, mas o certo é que esta também se cria a partir do nada: simplesmente anotando o banco no activo do seu balanço que os 100 euros que Pedro havia depositado convertem-se agora em 80 mantidos na caixa e 20 num empréstimo concedido a Rebeca e que esta se obriga a devolver. Se não fosse assim, se o dinheiro que os bancos criam não nascesse do nada, a quantidade de dinheiro não poderia aumentar, uma vez que um bilhete ou uma moeda não se podem reproduzir a partir de si mesmos.

    E se soubermos estas coisas tão simples já poderemos responder à pergunta do título: como se justifica que os bancos cobrem juros quando concedem empréstimos e por que não deveríamos pagá-los?

    A resposta é clara: não há nenhuma justificação e não deveríamos pagá-los porque procedem de dinheiro criado do nada. Se os pagamos é só porque os banqueiros têm um privilégio exorbitante que nos impõem graças ao seu enorme poder.

    UMA AGÊNCIA PÚBLICA PODERIA CRIAR ESSES MEIOS DE PAGAMENTO SEM ÂNIMO DE LUCRO E SEM NENHUM CUSTO, SIMPLESMENTE CONTROLANDO PARA QUE SE MANTENHA A PROPORÇÃO ADEQUADA ENTRE ACTIVIDADE ECONÓMICA E MEIOS DE PAGAMENTO.

    Mas quando a criação de dinheiro é convertida no negócio da banca, é lógico que esta o cria sem cessar, promovendo a maior geração de dívida possível. A banca privada tende assim a aumentar a circulação monetária sem necessidade, artificialmente, e sem que ao mesmo esteja a aumentar a circulação de activos reais (porque isto obviamente não está ao seu alcance).

    Está é a razão para que aumente tanto a dívida e não a de vivermos acima das nossas possibilidade ou de se gastar muito em educação ou saúde, como nos dizem sempre.

    Já sabemos portanto o que é preciso fazer para que a economia funcione muito melhor: acabar com o privilégio da banca e impedir que possa criar dinheiro a partir do nada aumentando a dívida.

    Outro dia explicarei a forma alternativa como poderia funcionar perfeitamente o sistema bancário sem que os banqueiros desfrutem deste privilégio que nos arruína constantemente. "

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Excelente post. Muito bem explicado como funciona este polvo maquiavélico.

      "Outro dia explicarei a forma alternativa como poderia funcionar perfeitamente o sistema bancário sem que os banqueiros desfrutem deste privilégio que nos arruína constantemente."

      A Banca só poderá funcionar bem sem os .... Banqueiros.

      Eliminar
    2. Uma Menina de 12 anos explicou como os bancos estão a arruinar os povos. Funcionando como colectores do dinheiro público, para distribuir pelas elites do privado e politicos.

      ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/05/ate-as-criancas-ja-descobriram-como.html#ixzz2NtXrMPc4

      Eliminar
  6. esta classe política que no seu conjunto demonstrou bem a sua incapacidade e incompetência ao longo destes 38 anos de pseudo-democracia/partidocracia pois já é a 3ª vez que Portugal é “resgatado”. Isto apenas evidencia a fraca qualidade da classe dirigente que cada vez é pior. A mediocridade impera nos actuais políticos, cada vez mais oriundos das “jotas”, imberbes e sem qualquer currículo ou experiencia de vida. O sistema político actual é perverso pois afasta o mérito e premeia a incompetência. Como se isto não bastasse, permite a criação de políticos “invertebrados”, sem ética e sentido de responsabilidade, capazes de se esgueirarem com facilidade nos caminhos estreitos da opacidade e da mentira. Vivem da política e não para a política.

    ResponderEliminar
  7. «João Salgueiro não compreende a medida de taxar os depósitos no Chipre» [1]
    mas eu explico: basta relacionar isto...
    «Resgate de Chipre coloca bolsas em queda e euro em mínimo» [2]
    com isto...
    «During the 2007 subprime mortgage crisis, Goldman was able to profit from the collapse in subprime mortgage bonds (...) by short-selling subprime mortgage-backed securities.» [3]
    e isto...
    «In finance short selling (also known as shorting or going short) is the practice of selling securities or other financial instruments that are not currently owned, with the intention of subsequently repurchasing them ("covering") at a lower price. In the event of an interim price decline, the short seller will profit, since the cost of repurchase will be less than the proceeds received upon the initial (short) sale.» [4]

    Mais um caso envolvendo Goldman Sachs, short selling e manipulação de mercado:
    «Goldman Sachs Group Inc. (GS) and Merrill Lynch & Co. employees discussed helping naked short-sales by market-maker clients in e-mails the banks sought to keep secret (...), Overstock.com Inc. (OSTK) said in a court filing. The online retailer accused Merrill, now part of Bank of America Corp., and Goldman Sachs of manipulating its stock from 2005 to 2007, causing its shares to fall.» [5]

    Ainda há dúvidas sobre o que se está a passar na Europa?

    [1]http://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/uniao_europeia/zona_euro/Detalhe/joao_salgueiro_ou_temos_lideres_muito_estupidos_ou_a_taxa_sobre_os_depositos_no_chipre_vai_ter_de_ser_explicada.html
    [2] http://www.publico.pt/economia/noticia/chipre-coloca-bolsas-em-queda-e-euro-em-minimos-1588165
    [3] During the 2007 subprime mortgage crisis, Goldman was able to profit from the collapse in subprime mortgage bonds in the summer of 2007 by short-selling subprime mortgage-backed securities.
    [4] http://en.wikipedia.org/wiki/Short_(finance)
    [5] http://www.bloomberg.com/news/2012-05-15/goldman-merrill-e-mails-show-naked-shorting-filing-says.html

    ResponderEliminar
  8. O direito do Cidadão em se inteirar sobre os actos dos governantes, em se informar sobre a forma de gestão do Estado, dos seus objectivos visíveis e invisíveis, é um direito intrínseco à democracia participativa, ou seja de ela própria.
    Decorre do direito fundamental dos cidadãos de exercer o seu controlo sobre o poder e de participar activamente nos assuntos públicos pela simples razão do seu nome estar inscrito como responsável.
    A auditoria do Cidadão, para além do controlo financeiro tem um papel eminentemente político, ligado a duas necessidades fundamentais da sociedade: a transparência e o controlo democrático do Estado e dos governantes pelos cidadãos.
    Reflictam, trata-se de necessidades que se refere a direitos democráticos completamente elementares, reconhecidos pelo direito internacional, direito nacional e pela Constituição, por conseguinte porque insistir em dar a aprovação ao poder político governativo para continuar a violá-los permanentemente?!!!!
    Por esta e por outras é que eu defendo suspender, exigir uma auditoria às dívidas e contas públicas, todas aquelas enquadradas na legitimidade são pagas, todas aquelas enquadradas na ilegitimidade são anuladas e responsabiliza-se todo aqueles que as contraiu
    SEJAMOS MAIS INTELIGENTES CIDADÃOS, agarremos a este instrumento legal, Principio de Auditoria de Cidadão, instrumento essencial de resistência e de reapropriação democrática na governação, assine e divulgue no seio do seu meio relacional. http://www.peticaopublica.com/?pi=P2013N38162
    chamo a atenção que não necessita de ser aprovado por nenhum orgão do Estado, utilizei este canal para medir em % a vontade da sociedade em nr de assinaturas do cidadão
    Evelyn MCH

    ResponderEliminar