09 março, 2012

Os portugueses vivem hoje num país nórdico: pagam impostos como no Norte da Europa; têm um nível de vida como no Norte de África.


Resolvi partilhar este artigo de Ricardo Araújo Pereira, por reconhecer nele a capacidade rara de transformar uma revolta, numa gargalhada de revolta. Rir das nossas misérias, apontar com humor e expor com graça.


"Os portugueses vivem hoje num país nórdico: pagam impostos como no Norte da Europa; têm um nível de vida como no Norte de África. 
Como são um povo ao qual é difícil agradar, ainda se queixam. Sem razão, evidentemente.
A campanha eleitoral foi dominada por uma metáfora, digamos, dietética: o Estado era obeso e precisava de emagrecer. Chegava a ser difícil distinguir o tempo de antena do PSD de um anúncio da Herbalife. "Perca peso orçamental agora! Pergunte-me como!" O problema é que, ao que parece, um Estado gordo é caro, mas um Estado magro é caríssimo. Aqueles que acusavam o PSD de querer matar o Estado à fome enganaram-se. O PSD quer engordá-lo antes de o matar, como se faz com o porco.

Enfim, será o preço a pagar por viver num país com 10 milhões de milionários. Talvez o leitor ainda não tenha reparado, mas este é um país de gente rica: cada português tem um banco e uma ilha. É certo que é o mesmo banco e a mesma ilha, mas são nossos. 

Todos os contribuintes são proprietários do BPN e da Madeira. Tal como sucede com todos os banqueiros proprietários de ilhas, fizemos uma escolha: estes são luxos caros e difíceis de sustentar. Todos os meses, trabalhamos para sustentar o banco e a ilha, e depois gastamos o dinheiro que sobra em coisas supérfluas, como a comida, a renda e a eletricidade.
Felizmente, o governo ajuda-nos a gerir o salário com inteligência. Pedro Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa. Só não disse que era na nossa, mas era previsível. A nossa despesa com alimentação, habitação e transportes está cada vez menor. Afinal, o orçamento gordo era o nosso. Agora está muito mais magro, elegante e saudável. Mais sobra para o banco e para a ilha." 
(In, revista Visão.)

SUÉCIA 

 


  DINAMARCA


  SUIÇA





2 comentários :

  1. Até pode parecer que o meu comentário não terá nada com o artigo exposto no entanto faço-o com o intuito de melhor se perceber o fenómeno social que este "país nórdico" atravessa.
    A descoberta do "homem de plasticina" não é recente mas a sua classificação tem vindo a ser feita aos poucos e nos últimos tempos chega-se ao pormenor da sua incrível capacidade de se moldar até nas mãos de aberrações com formas humanas mas desprovidas de qualquer tipo de entendimento HUMANO ou carácter. Espera-se com alguma expectativa a experiência de o destilar para ver no que dá... alguns apostam que dará um óleo razoável para máquinas de costura, outros há que apostam tudo que dará um óptimo estrume para uma agricultura inexistente no entanto as formas organizativas do evento aguardam apenas autorização europeia para ultimar a experiência.
    Já que a "tecnologia de ponta" murchou temos de ter esperança nas alternativas...
    POBRE POVO, TRISTE NAÇÃO.

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  2. «Pedro Passos Coelho bem avisou que iria fazer cortes na despesa. Só não disse que era na nossa...»
    Ah, isso tem sido vindo a ser dito vezes sem conta pelos seus mentores e sequazes. Há alguns anos. Também se descaiu algumas vezes durante a sua campanha eleitoral. O problema é que, como é natural em marketing (até mesmo moderadamente honesto, que não é o caso) martelou sempre naquilo que o Zé Povinho, farto do Sócrates, queria ouvir. Daí ter saído duma estrumeira para se atirar a a uma cloaca.

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