18 agosto, 2014

O BES bom, o BES mau? Já não temos idade para acreditar em histórias assim...

O BES bom, o BES mau e a má gestão dos dinheiros públicos

1 – A situação que há algum tempo se vem deteriorando no universo GES/BES agravou-se recentemente com a fuga de capitais do banco, em benefício dos negócios da família Espírito Santo, com todos os danos inerentes sobre a economia, os depositantes e os trabalhadores do banco. A sigla Espírito Santo tem andado nas bocas do mundo associado à palavra Portugal, pelas piores razões.
O titubear do governador do BdP e o leviano pairar do governo em todo o processo retrata o modo como o sistema financeiro mantém capturados o Estado, os governos e mesmo o aparelho judicial.

2 – Mais de 15% do empréstimo da troika, num valor de € 12000 M, foi imposto para a recapitalização da banca e incluído no valor global da dívida pública. Os encargos foram fixados em 2.95%  tendo sido entretanto utilizados por três bancos € 5400 M, sobrando hoje apenas € 1450 M que vencem juros superiores a 8%; em paralelo, sabe-se ainda que há garantias do Estado por dívidas da banca correspondentes a 10% do PIB. Assim, a parte não utilizada, hoje, da linha de crédito da troika (€ 6600 M) obriga a um pagamento anual de juros (€ 194.7 M) superior ao que os bancos, ainda devedores, pagam (uns € 116 M).
A canalização de € 4500 M (ou € 3900 M numa hipótese beta) para o Fundo de Resolução irá fazer-se aos mesmo 2.95% de taxa de juro, igual à que o Estado paga no âmbito da linha de crédito da troika. Sem ágio, sem lucro, sem garantias e com todos os riscos resultantes da natural erosão dos ativos, da fuga de depositantes, da descoberta de “imparidades” no âmbito do Novobanco, o banco bom, sem que nada se conheça sobre a viabilidade do banco recauchutado.

3 - Cabe perguntar porque não emprestou a troika, diretamente o dinheiro aos bancos com dificuldades? É que o Estado apresenta garantias de pagamento muito superiores às que bancos endividados poderiam oferecer; a punção fiscal nunca acaba e permite muita arbitrariedade). E o Estado, nos mecanismos de ordem fiscal alivia bastante os custos do seu tutelar sistema financeiro; ainda em finais de 2013 uma alteração ao imposto de selo veio a poupar este ano uns € 500 M ao sistema bancário.

É por conveniência dos bancos que o Estado se apresenta como seu garante, daí não resultando quaisquer vantagens para a população em geral. E os factos são bem conhecidos; em janeiro/2010 a dívida valia 87.7% do PIB e atualmente anda pelos 131%; os juros da dívida passaram de € 4970 M em 2010 para uns € 7100 M esperados para o ano em curso; e podíamos acrescentar o desemprego, a quebra generalizada de salários, os despedimentos, a emigração, os cortes na saúde, etc.

4 - A cedência de crédito ao Fundo constitui uma benesse para o capital financeiro, com uma nuvem de dúvidas e riscos por cima. E é uma demonstração prática de que a dívida aceite pelo Estado e pela classe política para a capitalização dos bancos é ilegítima e susceptivel de todos os repúdios e impugnações, como o é a relativa às célebres PPP, à burla do BPN, dos submarinos e outras.
Só se considera legítima uma dívida contraída para benefício do devedor e com sua aceitação informada e expressa. Eles, a classe política e os governos, não nos representam; e se alguma vez nos representaram perderam toda a legitimidade perante a situação de desastre em que colocaram a grande maioria de todos nós.

5 - Nesta linha, nada se avança para o desiderato de se alcançar uma dívida pública de 60% do PIB, que anule a tutela financeira da UE bem como a funda austeridade já anunciada para as próximas décadas, com o seu cortejo de sacrifícios para trabalhadores, desempregados, pensionistas e pobres; apesar dos anúncios rituais de uma retoma… falhada.
Depois da experiência conhecida com o caso BPN, que custará uns € 7000 M em perda de direitos, rendimentos, emprego e emigração, torna-se mais aterradora a ligeireza com que o governo e o BdP encaram a situação do GES/BES, enquanto a família Espírito Santo gere pacificamente o grosso do seu património registado em off-shores.
Os elementos que se vão acumulando, saídos do afundamento do GES/BES e que, por exemplo, atingem em cheio a PT, incitam-nos a declarar que:

NÃO QUEREMOS ARCAR COM OS CUSTOS DAS FRAUDES DE PRIVADOS
NÃO ACEITAMOS O BENEFÍCIO DO CAPITAL FINANCEIRO GANHANDO EM CORTES E AUSTERIDADE
QUEREMOS UMA MUDANÇA DE SISTEMA POLÍTICO E DE MODELO DE REPRESENTAÇÃO


Todos, dias 9 há concentração na Avenida da Liberdade, Lisboa, junto à sede do BES, pelas 15h 

Este outros textos em:
http://grazia-tanta.blogspot.com/
http://pt.scribd.com/profiles/
http://www.slideshare.net/

PARA ANA GOMES O BES "foi e é instrumento da atividade criminosa do grupo". "Se o BES é demasiado grande para falir, ninguém, chame-se Salgado ou Espírito Santo, pode ser demasiado santo para não ir preso"




O BES O BANCO DO SISTEMA, A SAGA CONTINUA
  1. As escutas do BES e do CDS (video)
  2. 20 milhões, por assessoria do BES.
  3. BES e os submarinos do Portas
  4. Lusófona e o BES
  5. BES e as grandes obras da Policia Judiciária
  6. Paulo Morais denuncia
  7. As SCUT´s e o BES
  8. O BES e Almerindo Marques
  9. O BES, o Mensalão e o Relvas
  10. BES e a privatização da EDP
  11. BES os juros e as PPP
  12. Manuel Pinho e o BES
  13. O BES e o desfalque nos CTT
  14. O BES na comissão que negoceia com a troika?
  15. O CDS e o depósito de 1 milhão no BES
  16. BES beneficia das PPP de Sócrates.
  17. O BES no Banco de Portugal
  18. As conquistas do BES.
  19. BES e o caso Portucale
  20. PS amigo das PPP´s e do BES
  21. O BES albergue de políticos 
  22. BES acusado de roubar empresa
  23. Gomes Ferreira explica como a Banca manda
  24. Os homens políticos do BES
  25. Prender os que enganaram o estado nas PPP
  26. Fisco aliado do BES, contra o cidadão?

12 comentários :

  1. Um site que tem uma investigação bem fundamentada e investigada sobre o BES e que mesmo traduzido pelos programas de tradução em linha dá para entender tudo é 925.nl
    Aconselho a quem gosta de ter opinião a seguir as investigações deste site.

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    1. Obrigada pelo seu incentivo à busca de informação.

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  2. Eu compreendo a necessidade do Governador do banco de Portugal e do Governo de irem à pressa subtrair uma parte do banco para dar a ideia que com este Governo são os banqueiros que pagam e não os contribuintes. Uma medida brilhante para o Governo, sem dúvida, e até já posso adivinhar os slogans de campanha em 2015 só à conta desta história.

    Mas há uma coisa que me preocupa à já algum tempo, como cidadão e contribuinte, e que só agora começo a ouvir, de forma tímida, por parte de alguns comentadores:
    Será legal e constitucional, subtrair arbitrariamente o património de uma empresa aos seus verdadeiros donos, ou seja, os acionistas, tratando todos como criminosos?
    Ser acionista é ser dono de uma percentagem nos Ativos e Passivos de uma empresa, o que lhe confere um direito sobre esse património líquido, logo como é que a subtração (aparentemente arbitraria) desses ativos e passivos, sem qualquer contrapartida, pode ser compatível com o princípio da propriedade privada explanado no artigo 62º da CRP?
    Art 62º
    (Direito de propriedade privada)
    1. A todos é garantido o direito à propriedade privada e à sua transmissão em vida ou por
    morte, nos termos da Constituição.
    2. A requisição e a expropriação por utilidade pública só podem ser efetuadas com base na lei
    e mediante o pagamento de justa indemnização.

    Eu não sou jurista, mas até agora ainda não ouvi ninguém com responsabilidade a referir esta questão. E duvido que a Lei que “deu à luz” esta medida, tenha tido grande escrutínio no parlamento, pois após o desastre que foi a nacionalização do BPN, quem é que no seu prefeito juízo se iria opor a tal Lei?
    Mas.... andamos todos entretidos com o malandrote do Salgado, que sem dúvida terá o que merece: Umas boas férias nas ilhas Caimão a usufruir os milhões que gamou.... perdão.... ganhou, durante anos e anos de “belíssima” gestão no BES.

    O problema é que já oiço por aí rumores de eventuais ações judiciais contra o Estado, na base que a tal Lei (aparentemente imposta à pressão pela UE) é inconstitucional.

    Resumindo, basta que esta tenha sido redigida pelos mesmos incompetentes (ou mercenários) que redigiram os últimos orçamentos de estado, e de repente não só teremos de pagar o banco bom, como também o banco mau, mais indemnizações, etc...

    Deixemos o Salgado para os tribunais, o que é urgente agora, é discutir os contornos legais desta cisão do BES, essa sim, a verdadeira ameaça ao futuro do nosso país.

    É só uma humilde opinião....

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    1. Muito obrigada pela sua "humilde" opinião que é na realidade um alerta muito importante. Haja gente informada e este país será um dia digno de tal nome, porque por enquanto não passa de uma máfia sustentada por escravos.

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  3. Caro Nuno,

    Os accionistas tanto podem colher dividendos das suas ações como podem ter de pagar por essas ações. Suponhamos que um accionista comprou 1 ação do BES por um valor de 5 euros. Se o BES valorizar em bolsa, para 5.50€, o accionista teve um lucro de 50 cêntimos. Mas se a cotação do BES descer para 4.50€ o accionista teve um prejuízo de 50 cêntimos, assim como se a cotação do BES cair em 50% o mesmo accionista perderia 2.50€ (metade do capital investido). Esta desvalorização vai até o BES deixar de poder funcionar por falta de capital, abrir falência. Todo o seu património é vendido para pagar aos credores, atenuando assim os prejuízos dos credores. Os accionistas ficam só sem o capital investido, como não são credores não têm direito a nada. Isto numa situação normal. Mas casos há em que os accionistas são responsáveis pelos prejuízos da empresa, tendo que pagar até ao último cêntimo. Só que desta maneira era muito mais difícil às empresas conseguirem dinheiro emprestado, pois poucos estariam dispostos a arriscar a perder o investimento e o património que tinham conquistado, dando lugar também a outro tipo de garantias por parte das empresas e percentagem de lucros muito maior, tal como o risco.

    Tenho pena que continuemos, como que a medo a chamar certas pessoas de incompetentes ou mercenários, quando o adjectivo mais tímido deveria ser criminoso. E, sim, porque já morreram indirectamente muitos portugueses pelas suas actividades criminosas. E a dimensão é tão grande que as pessoas dizem que sempre assim foi, é assim, fazer o quê?

    Cumpts

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    1. Caro Vítor, concordo com a sua explicação, mas há um problema nesta história mal contada, é que o BES (Banco) ainda não estava tecnicamente falido! Pelo menos, segundo o último relatório de contas os capitais próprios ainda eram positivos.
      Logo, partido do princípio que os activos e os passivos estavam devidamente valorizados e contabilizados, seria possível teoricamente liquidar o banco naquele momento, pagar a todos os credores e ainda sobraria algum dinheiro para ressarcir uma parte do investimento dos accionistas.
      É que punir os accionistas qualificados é uma coisa, porque esses têm poder de voto e em princípio deveriam ter mais informações sobre a real situação do banco que os demais.
      Agora punir todos, desta forma, e naquelas circunstâncias?
      Como disse, parece-me de legalidade duvidosa, mas é só uma opinião de um não jurista.
      Espero bem que tudo isto tenha sido feito sem deixar pontas soltas, caso contrário temo que a conta final sobre para todos nós.
      Só para contextualizar a minha “inquietação” com este caso:
      Imagine que tem um campo de cultivo de maçãs com outro sócio, e num ano metade do campo é atacado por uma praga e só dá maçãs podres. Já a outra metade que tinha sido pulverizada com “anti praga” safa-se e dá boas maçãs.
      Imagine agora que o seu sócio lhe diz: Bom, sendo assim ficas com as podres, que as boas são para mim …. Agora desenrasca-te!

      Cumprimentos

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    2. Caro Nuno, mas não tenha a menor dúvida que é o que vai acontecer, à semelhança do BPN. Só não sei é a real dimensão do buraco, ainda que tenha um mau pressentimento (vá-se lá saber porquê).

      O que se está a passar faz parte de uma agenda mais global, neste momento o que vemos é o reposicionamento das pessoas mais poderosas, quer em Portugal, quer nas restantes partes do Planeta. Esta novela já se vem a desenrolar há décadas, mas só agora é que começa a ficar incontrolável. Então algo de Grande terá de acontecer para repor a mentira, a ilusão, com que controlam nações.
      E serão sempre os mesmos a sofrer. Com isso pode contar.

      Cumpts

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    3. Caro Vitor,
      Eu penso que o problema não se deve centrar apenas nas “agendas ocultas” de uns quantos poderosos, porque os poderosos, infelizmente, sempre as tiveram ao longo da história.
      O problema a meu ver é mais abrangente e está relacionado, não só, mas também, com uma regressão de valores por toda a sociedade.
      Veja este exemplo:
      Quando se inventaram as redes P2P de partilha de ficheiros, rapidamente se propagaram pela net dezenas de sites ilegais de partilha de conteúdos musicais (e não só), que muitos alegremente usufruíram e usufruem sem pagar um tostão aos seus verdadeiros donos. A realidade é que, na cabeça do cidadão comum, roubar um CD físico ou fazer um download ilegal de um ficheiro MP3, não é a mesma coisa.
      A um nível comparativamente maior temos os Bancos e o império do dinheiro digital, que hoje constituí a maioria da moeda em circulação no mundo.
      A este nível, e tendo em conta o que referi no exemplo anterior, será que pesa igualmente na cabeça de um candidato a ladrão, roubar 1 milhão de euros em dinheiro “vivo” ou roubar 1 milhão de euros em dinheiro digital?
      No mínimo deverá concordar que, ao menos, é bem mais fácil. Já não é como no tempo do infame Alves do Reis em que, para se roubar uns milhões, era necessário muita criatividade e esforço, ou isso, ou muito “sangue azul”.
      Existem, claro, outros fatores a ter em conta, como a globalização e o surgimento das empresas globais (vulgo, multinacionais), que trouxeram novos desafios à regulação. A questão é: como é que se regulam empresas que atuam num palco global, sem atropelar a soberania de outros Estados?
      E para agravar as coisas continuamos a insistir na manutenção de uma Constituição bafienta do tempo do PREC, que cria uma série de direitos e garantias ambíguas que privilegiam apenas quem tem o poder (e dinheiro) para as exercer na sua plenitude.
      E é nessas ambiguidades que os tais poderosos atuam, e é por isso que precisamos de construir um novo tipo de sociedade para lidar com estes novos (que na realidade já são velhos) desafios.
      Mas para isso é preciso começar pela re-moralização da sociedade, e esse, a meu ver, é que é o “algo grande” que tem de acontecer.

      Cumprimentos

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    4. Infelizmente e felizmente meu caro Nuno, um acontecimento desencadeia outro(s).

      Mas o importante é que as multinacionais ou corporações são pequenos protectorados dentro do próprio Estado. Elas são um dos instrumentos de subversão ao dispor das nações para conquistar primeiramente, recursos chave para essa nação a melhores preços que se a nação o importasse. Em segundo lugar são uma forma de diplomacia mais abrangente. Atente na Igreja Católica e na sua estrutura... foram a primeira corporação, veja quantas embaixadas estão espalhadas pelo Planeta.
      As corporações se reparar recolhem todo o tipo de inteligência que conseguem dentro do que pretendem e são opacas, não deixam transparecer nada, e, se algo sai vem já manipulado, com o intuito de desviar atenções. Algo melhor que camuflarmos um serviço de inteligência de empresa?
      Isto não acontecia no tempo do Estado Novo porque vivíamos a meu ver, uma ditadura proteccionista que eu chamo de boa fé, em contraste com a que vivemos hoje, de má fé, ou se preferir de traição. As corporações estavam interditas de actuar no mercado português. Como ainda tínhamos as ex-colónias o nosso poder económico ainda afastava algumas nações. Com a pressão internacional (interesses económicos, obviamente) o golpe de estado perpetrado pelos americanos e a entrega das ex-colónias nas condições que quem as entregou acordou.
      Há uns anos atrás foi confirmado pelo responsável da CIA em Portugal na altura, com o pretexto de nos perderem para os russos.
      Alturas há em que faço a analogia com o tempo dos Filipes.

      Isto é um jogo de poderosos em que o capital é quem manda, e pouco se pode fazer, estando tão dependentes como estamos. Ainda mais desde que entrámos na Federação Europeia. Agora já sem agricultura e pesca, deixámos de ser donos do nosso destino. A maioria das Leis são feitas no parlamento europeu, as que ainda se fazem aqui, bastava um escrivão e um advogado ou quase.

      Para mudar teríamos primeiramente de alterar o sistema eleitoral viciado. Devolvendo assim o poder ao povo, que tantas vezes tem sido enganado com essa premissa. Mas quando falo devolver o voto ao povo digo, realmente devolvê-lo com carácter permanente e não como têm feito até aqui, dando o voto quando querem legitimar os seus actos criminosos para logo de seguida inventar uma treta para lhe retirar esse direito, fazendo deles lorpas.

      Concerteza não vai conseguir controlar as corporações, nem as nações que elas representam ou em breve o Planeta que representam. Mas pode controlar, participar e ajudar a desenvolver a nossa nação. E um passo de cada vez, conseguiríamos, quem sabe, criar a primeira Democracia à face do Planeta, sem que alguém nos pudesse criticar, já que todos usam a mentira da democracia.
      Mudar o sistema eleitoral, não só era a maior vitória, como a pior derrota do poder económico, que é o sinónimo de corrupção e de outras tantas aberrações com que temos de conviver no quotidiano.

      Cpts

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    5. Caro Vitor,

      No essencial concordo com o seu comentário, no entanto não acredito que uma mudança no sistema eleitoral seja a prioridade, e já explico o porquê (do meu ponto de vista, claro).

      A única democracia verdadeira é a Democracia Participativa, ou como um amigo meu chama: a Quarta República.
      No entanto, não basta anunciar por decreto uma nova forma de organização política para que tudo se alinhe.
      A realidade tem provado que o povo Português não está preparado para a democracia participativa, tal como, não estava preparado para esta democracia aldrabada em que vivemos. Porque a opinião pública é facilmente capturada pelos demagogos do momento e porque não existem mecanismos de dissuasão a quem tenta manipular o eleitorado com mentiras.
      Um exemplo mais recente é o caso do Dr. Marinho Pinto, pessoa em quem, infelizmente votei.
      Fui na onda, porque este defendia 3 questões que para mim são muito caras: combate à corrupção, a moralização da vida política e a economia ecológica. Hoje posso dizer que esse senhor é uma fraude. Mas ao menos sou capaz de reconhecer que errei, já outros não estão a ter essa clarividência e preparam-se para eleger este senhor e os seus camaradas do MPT nas legislativas de 2015, subscrevendo assim a fraude que foi a sua eleição como deputado europeu, visto que volvidos 2 meses já decidiu que se vem embora daqui a um ano (embora não recuse, no entretanto, o salário pornográfico de Euro Deputado que aufere), insultando-me a mim e a todos os que votaram nele. Qualquer povo responsável e culto teria exigido a sua demissão e a do seu amigo José Inácio Faria por eleição fraudulenta.

      Outro exemplo é a adesão vergonhosa da Guiné Equatorial à CPLP, e a forma escandalosa como fomos humilhados na praça pública, sem que tenha havido sequer uma consulta popular.
      Onde é que ouviu a indignação do povo português nas ruas a essa adesão vergonhosa, que nos deveria envergonhar a todos? Vai uma aposta que a maioria dos portugueses nem sequer sabe o que é a CPLP, ou onde fica a Guiné Equatorial?

      Outro exemplo: Acha normal, termos um Partido Comunista Português com a expressão de votos que tem em Portugal? Um partido que é uma clara ameaça à já fraca democracia que temos?

      Logo como é que podemos dar o poder do voto a um povo despreparado, ignorante e apático?
      Nós não somos os Suecos!
      Daí defender a necessidade de uma moralização/reeducação do povo como a prioridade, e só numa segunda fase, a reforma do sistema eleitoral e político. Caso contrário voltamos ao ponto de partida.

      Cumprimentos

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    6. Caro Nuno,

      Aquilo que defende é uma ditadura, a tal ditadura de boa-fé. Alongando-me um pouco mais sobre a ditadura... As ditaduras de boa-fé tem quanto a mim um papel preponderante no desenvolvimento das sociedades "analfabetas". Tal como o Nuno refere. Só que o tempo desse tipo de ditaduras para nós infelizmente terminou com Estado Novo. Não quero com isto dizer que é impossível, mas os tempos mudaram e se tivesse que apostar, não investiria um cêntimo nessa remota hipótese.

      Aquilo que vemos hoje em dia ao redor do Planeta é essencialmente acção indirecta dos caprichos do mercado global, que as nações não podem ignorar por ser uma peça chave na, muitas vezes remota, possibilidade do seu desenvolvimento, ou através da sua integração no meio para com essa atitude mais tarde poder obter proveitos.
      Assim como a Guiné Equatorial e muitas outras nações, todos pretendem adquirir uma vantagem. No caso da Guiné Equatorial, que não preenche os requisitos humanos e linguísticos para ser parte integrante com plenos direitos, já que eram só observadores, nem sequer é uma questão importante, já que no passado ouve vários casos idênticos, para não falarmos de Angola e Moçambique.
      O Mundo tal como a maioria o conhece é a cores, nem sempre muito vivas, mas colorida, o mesmo não acontece no mundo real em escala de cinzas e com predominância bastante negra, e talvez engraçado por se assemelhar à visão do mundo animal predador (não sei se todos, mas o cão vê só a escala de cinzas).

      Eu não me preocuparia com o PCP, nem com nenhum dos 17 partidos que temos (são um atestado da nossa ignorância), no fundo estão todos mais alinhados que o que possa imaginar (o dinheiro manda e subverte tudo, é mais sexual que o elefante :) ), ele pode ser até a extrema esquerda ou se houvesse ainda mais à esquerda. Os únicos 2 partidos que serão eleitos serão sempre os clientes habituais, porque o poder económico mais uma vez sabe o que anda a fazer e alinha-se sempre de um lado ou de outro.
      Gostaria que percebesse agora, e mesmo que não seja a altura apropriada, sei que no futuro o irá observar e entender, se continuar a lutar para a melhoria do todo; o capital tudo pode, ele é que vai ditar se as nossas filhas se vão prostituir ou não, é ele que dita se vamos continuar naquele emprego, se temos direito a férias, ou se vamos ser mais escravizados. Se tiver dinheiro manda-me eliminar se eu for seu concorrente ou me colocar no caminho dos seus objectivos. Até consegue separar-me da minha esposa.
      Não fui eu que criei este monstro, apesar de ter contribuído enormemente para ele através da minha ignorância.
      Eu costumo dizer que vivemos na Era do Medo. Muitos não acreditam, mas para manter o emprego, fazemos coisas que sabemos que não deveríamos fazer, e etc...

      O povo está apático, despreparado e é ignorante porque não tem motivo algum para se interessar. Não é incluído na vida social, apesar de continuar a crer que o seu voto tem importância, não pode ignorar que quem elege é só canalha, tal como o Nuno refere com o Marinho, o dinheiro cada vez dá para menos, os filhos ficam em casa até depois dos 30 ou 40, os reformados morrem sem ninguém sequer olhar para eles, os nossos pais colocamos-los num lar, outros nem têm dinheiro para os medicamentos, após os 40 anos deixamos de contar para a população activa, etc..., etc..., etc...
      Que espera o meu caro Nuno? É fruto de quê? Somos nós os responsáveis! Fomos nós que criámos o monstro!
      Uns porque fizeram, outros porque deixaram fazer. Tal como tudo na vida... os políticos são nada mais que filhos de portugueses, os médicos e os advogados também, todos somos filhos de portugueses. Isto é o que temos! cont.

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    7. E segundo os meus cálculos, bem posso reencarnar mais umas 2 vezes seguidas, que vou continuar a assistir a mais do mesmo, o que também já era azar a mais, mas nunca se sabe.
      Repare, somos um povo que neste momento e de há algumas décadas a esta parte temos um sentimento de inferioridade tão grande porquê? A maior parte das pessoas não o reconhece, mas se as soubermos indagar elas revelam-no para que as possamos confrontar com tal facto. Será o peso de termos sido um império? Ou será pelas circunstâncias em perdemos o Brasil?

      Rematando: De uma forma geral somos mesmo é ignorantes e extremamente burros para não entender que o Mundo é um lugar simples, e rege-se por leis simples, tão simples como as regras básicas da vida. Os esquemas para atingir os nossos objectivos podem ser muito refinados, mas só escapam a quem não percebe a simplicidade.

      Cpts

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