05 agosto, 2014

Doutores da mula russa, políticos usam universidades privadas para criarem currículo confiável, e iludir os eleitores.

Rui Verde, ex-reitor da Universidade Independente (UnI) publicou o livro «Processo 95385 - como Sócrates e o poder político destruíram uma universidade»
Um livro que expõe a realidade sobre a formação académica dos políticos e que vem confirmar aquilo de que todos já supeitavamos. >A promiscuidade, a ilegalidade e a falta de moral de algumas universidades privadas que servem apenas para mascarar oportunistas políticos de pessoas idóneas e bem formadas. Uma farsa legalizada levada a cabo com o intuito de permitir que os políticos tenham mais facilidade em enganar os eleitores e assim poderem conquistar um lugar ao sol no mundo fácil da politica, onde o dinheiro fama e glória abundam, onde o trabalho escasseia, e onde a justiça e responsabilidade não existem.

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As poucas frases da contra-capa dão o mote e apontam mesmo ao coração do mostrengo que nos domina a vida colectiva: "Em Portugal há um sistema de poder opaco que se entretém em disputas florentinas que levam o país ao caos (...) Esse sistema necessita desesperadamente de dinheiro. Da Europa, de Angola, do Brasil, de Macau, seja de onde for. E domina toda a sociedade e o Estado."
Verde afirma "o país está entregue a jovens profissionais que dominam por completo o aparelho dos partidos e não têm ideologia a não ser a própria carreira, o seu caminho até ao poder. Não sabem o que é a sociedade, pagar ordenados ao fim do mês, etc."
Rui Verde acredita que José Sócrates não se licenciou devidamente e apresenta fotocópias de documentos que guardou em 2007 no auge do caso da licenciatura.
Porque não falou Verde na altura? O mesmo explica que o ia fazer e no mesmo dia em que aprazara uma conversa ( em que confirmaria a manchete do Público sobre o assunto), com a jornalista do Expresso Mónica Contreras... foi preso.

Após a prisão, Verde acha que perdeu toda a credibilidade e tanto lhe fazia confirmar tudo como nada. É assim, a explicação. Calou-se porque foi travado, segundo conta e considera por isso ter existido cabala de um certo poder político-judicial para o tramar definitivamente. " Quem vai acreditar num preso que diz que Sócrates não é licenciado?"
Rui Verde acha que os pivots da história de José Sócrates na Independente são Armando Vara, António Morais, o professor das equivalências e das cadeiras que faltavam e ainda um tal Filipe Costa, chefe de gabinete de Alberto Costa, então ministro da Justiça.
Como acredita que houve cabala, mete ao barulho o poder judicial para lhe tentar definir o contorno, de um modo interessante. Rui Verde foi casado com uma juiz que foi monitora no CEJ e assessora no STJ e por essas e outras acha mesmo que a meteram no processo para atingir a magistratura. Quem? Os tais pivots, mais o maioral, o "chefe" que saiu disto tudo airosamente e por causa do poder que temos em Portugal. Incluindo o mediático.
Portanto, a prisão de Rui Verde, para este e segundo o que escreve no livro é um ardil para atingir outros objectivos. E a lógica de raciocínio só esquece uma coisa importante: os factos. Como disse logo no princípio do livro que não ia escrever sobre os factos que o conduziram ao julgamento em que é arguido juntamente com outros, temos uma versão truncada e muito, mas mesmo muito, subjectiva do que se passou.
Contudo, no que se refere à apreciação do poder da elite em Portugal, o livro é uma lufada de ar fresco no bafio mediático geral.

Como exemplo de conspiração bem sucedida do poder político contra o poder judicial (que é um facto) e que contraria o que Rui Verde considera ser o maior travão ao poder político assim delineado, que são os juízes e o poder judicial em geral, Rui Verde aponta a revisão do Código de Processo Penal em 2007, como um fenómeno curioso.
Diga-se que Rui Verde considera que os atrasos da justiça penal em Portugal, em vez de serem um mal em si mesmos, constituem uma espécie de válvula de escape para os desmandos, abusos e arbítrios ( de que se sente vítima, claro está) e que as regras minuciosas impedem esses abusos. Por isso mesmo, ao analisar a tal revisão do CPP de 2007, ao contrário do que muitos magistrados disseram, acaba por considerar que tal revisão conferiu ainda mais poder aos "agentes judiciais". "Continua a seguir-se a tradição germânica- que tanto jeito deu a Hitler- das cláusulas indeterminadas ou gerais, o que é inaceitável em termos jurídico-penais."
Perante tal código acha mesmo que "Nunca foi tão importante saber o que os juízes comeram ao pequeno-almoço, com que disposição vão para o tribunal. A ciência do Direito é cada vez menos ciência e mais psicologia judiciária. Um horror."

"O namoro com o poder nos bastidores de uma universidade
Almoços de negócios em escritórios de empresas onde quase sempre há um “mordomo fardado de branco” e se come “invariavelmente peixe”, seja com “ministros, presidentes de bancos ou empresários”. Cumplicidades. Trocas de favores.
Rui Verde, ex-dirigente da extinta Universidade Independente, um homem que desde sempre teve “uma certa inclinação pelo PSD”, escreve sobre as relações desta instituição de ensino privada com os políticos. E sobre a sua própria tentativa de aproximação à política – começou por tentar singrar contratando três agências de comunicação.
No livro O Processo 95385 (Livros d’Hoje - Publicações Dom Quixote e Exclusivo Edições), aquele que é um dos 24 arguidos no processo Universidade Independente, a instituição de ensino privada que fechou portas em Outubro de 2007 a mando do então ministro Mariano Gago, fala também dos “jotas”, governantes e ex-governantes dos dois principais partidos políticos que passaram pela instituição de ensino. E dos dias na prisão. “Aqueles advogados caros que eu tinha sustentado ou aqueles que tinha lançado na profissão desapareceram. Fui preso sozinho.”

1. A Independente e os “jotas”
“A universidade era um ponto de encontro para os políticos”, escreve Rui Verde. Que claramente não tem grande opinião de muitos dos que lá passaram. “Jovens ambiciosos procuravam nela algum título para decorar a sua ignorância.”
E continua: “Tivemos muitos alunos provenientes das chamadas ‘jotas’ (...) a maioria queria o diploma apenas por uma questão de respeitabilidade externa. Faltavam o mais que podiam às aulas, procuravam inventar as mais estranhas épocas de exame e o curioso é que a lei os favorecia: bastava uma candidatura qualquer e todo o processo de avaliação era subvertido. Não me recordo de favores concretos, mas recordo um laxismo e desinteresse completo pelo saber (...).
Saber, para eles, é conhecer quem mexe os cordelinhos na concelhia, quem nomeia o director do hospital e por aí adiante.”
2. A Independente e os “ex” do Governo
Se os “jotas” iam acabar cursos, os “ex” iam dar aulas, continua o livro de Rui Verde. “Outra gente que apareceu em barda na universidade foram os ‘ex’ (...)
Quem saía dos governos buscava lá algum consolo intelectual e respeitabilidade pública – além de ir também, por vezes, procurar negócios. Geralmente, quando caía um governo já sabíamos que nos iam aparecer vários ex-ministros ou ex-secretários de Estado à porta.”
Nunca iam directamente, diz. Eram sempre aconselhados por algum “amigo” que “dizia que fulano tal tinha imenso potencial e know-how e poderia ser uma excelente aquisição para a universidade.” O que acontecia depois dessas sugestões? “De um modo geral, fazíamos pressurosamente o convite.
As questões raramente eram monetárias. Se bem que todos quisessem uma remuneração, o ponto estava em serem considerados professores universitários. A verdade é que todos começavam os anos lectivos, mas poucos os terminavam, entregando rapidamente a tarefa a assistentes.”
Rui Verde admite que estes professores convidados não estavam na universidade para dar aulas, “mas para trocar favores”. O certo é que não foram assim tão gratos, lamenta. “Nunca obtivemos qualquer favor quando precisámos.”

(...) 4. O “pecado original”
A Independente nasceu com problemas. Começou mal, nas palavras de Verde. E acabou pior – numa “espiral de débitos terrífica”.
A certa altura Rui Verde conta aquilo a que chama “a história de Saul Maia de Campos, o empresário de construção civil e vice-presidente do Futebol Clube do Porto”.
Um dia, Maia Campos terá proposto a Luís Arouca, fundador da universidade, que instalasse a nova instituição de ensino que estava para surgir num edifício que estava a construir. “Em Setembro de 1993, na véspera da ocupação do edifício e um par de semanas antes da abertura da universidade e da sua primeira aula, surge o empresário nas instalações com um contrato na mão. Do seu Mercedes alongado, envergando o habitual fato amarelado, que condizia com o seu cabelo alouradamente pintado e os seus inesquecíveis sapatos de verniz branco, sai risonho e chama Arouca. Não assisti à conversa, mas sei que no fim Arouca surge branco, com um contrato na mão que oficializava a nossa permanência na universidade como arrendatários por um valor exorbitante.
Os gestores da universidade assinaram o contrato e demitiram-se logo de seguida. Esse contrato criou um défice tremendo na gestão da universidade que nunca foi ultrapassado. Foi, para usar a linguagem bíblica, o pecado original da Universidade Independente.”

5. O “amigo” Jorge Neto
Para dar “músculo financeiro e relacional” à instituição de ensino, procuraram-se apoios, escreve Rui Verde. “O papel do advogado Jorge Neto, por essa altura deputado do Partido Social Democrata e secretário de Estado da Defesa, foi central, pois, por mera amizade a mim, disponibilizou contactos com uma série de personalidades influentes do nosso mundo empresarial.”

6. Ilídio Pinho e os inebriantes almoços com o poder
Ilídio Pinho, “dono de uma das maiores fortunas do país, homem do Norte, amigo de Mário Soares”, foi um dos empresários a quem foi pedida ajuda. Mas Verde lamenta que as lições de gestão que o “homem do Norte” procurou dar à Independente se limitassem a “cortar custos e cortar custos.”
“Várias vezes fui ao seu escritório no Porto, ouvi-lo e tentar aprender alguma coisa. E aprendi, mas tive dificuldade em pôr em prática os seus ensinamentos”, escreve.
E continua: “O escritório do comendador Ilídio Pinho fica numa torre moderna perto da Boavista e tem muitas salas com uma decoração minimalista, polvilhadas de quadros valiosos. As reuniões decorriam no seu gabinete, com uma bela vista, e terminavam com um almoço nas instalações – invariavelmente peixe. Peixe foi, aliás, o que encontrei sempre que almocei com ministros, presidentes de bancos ou empresários nas suas salas de jantar privadas. Não se pense que os negócios se fazem habitualmente em restaurantes caros.
A maior parte destas pessoas tem salas de jantar nos seus escritórios, e é lá, no recato do seu cantinho, que recebem, acompanhados por um discreto mordomo fardado de branco, aqueles com quem querem conversar tranquilamente. O que se come nesses almoços não é importante. Importante é a ambiência – em que nos sentimos recebidos no sanctum sanctorum dos mais importantes e, por isso, ficamos com uma certa tendência a concordar com tudo.”
Concordando ou não, Verde diz que ainda se esforçou por “organizar a universidade” como Ilídio Pinho recomendava, mas essas recomendações não se adequavam à realidade da instituição de ensino: “E num dia em que procurámos apresentar, no Conselho Geral, os resultados das nossas tarefas de racionalização e pedir-lhe apoio financeiro (não pessoal, mas junto do BES), levámos uma desanda monumental, como se fôssemos atrasados mentais. A nossa relação nunca recuperou desde então.”

7. A Independente, o PS e o PSD
“Havia, na Universidade Independente, a ideia de que Luís Arouca cobria a área ligada ao Partido Socialista e eu a área ligada ao Partido Social Democrata”, escreve Rui Verde.
8. O ex-aluno Vara
Armando Vara é outro nome citado. Também ele tirou o curso na Universidade Independente – conclui-o três dias antes de ser nomeado administrador da Caixa Geral de Depósitos de onde viria a sair para o BCP.
Na opinião de Rui Verde, foi um dos que não ajudou a universidade quando ela precisou. “Quando, em finais de 2005, o grupo que tradicionalmente controlava a maioria do capital da entidade instituidora da universidade se viu confrontado com uma espécie de takeover comandado pelo ministro de Educação de Angola, procurou apoio de Vara, na altura administrador da Caixa Geral de Depósitos e, por essa via, supervisor das actividades da Fundimo, o fundo que detinha o prédio onde a universidade estava instalada”, escreve Rui Verde.
Verde e Arouca terão então combinado um encontro com Vara na sede da CGD, em Lisboa, “esse monumento à loucura dos banqueiros”, e reuniram com ele no seu gabinete (“a decoração é pobre e funcional sem qualquer referência pessoal, só a vista é bonita”). “Atendeu-nos com toda a simpatia e comprometeu-se claramente, dizendo que, se retomássemos o controlo da sociedade, teríamos todo o apoio dele e da Caixa Geral de Depósitos. Eu saí bastante contente. Curiosamente, Arouca não embandeirou em arco e fez-me uma prelecção acerca de não confiarmos nestas pessoas. Tinha razão. Passados dois ou três meses, retomado o controlo, fomos falar novamente com Vara.” A ajuda não chegou, diz.

9. O “sucesso” de Hermínio Loureiro
“Hermínio Loureiro (presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, ex-secretário de Estado do Desporto nos governos do PSD e deputado) terminou o curso na Universidade Independente para se candidatar, licenciado, a presidente da Liga de Futebol. Era uma figura cordial, preocupada com a dieta. Conheci-o por intermédio de um amigo comum que proporcionou um almoço no Solar dos Presuntos, restaurante bem conhecido pela fartura da bebida e da comida nortenha. Pois bem, não é que o simpático deputado só comeu peixe grelhado e bebeu água? Que desânimo! (...) No final [da licenciatura], veio agradecer-me e perguntar do que é que eu precisava. Garanti-lhe que não precisava de nada e só lhe desejava sucesso. Respondeu-me, simpaticamente: ‘O meu sucesso será o seu sucesso!’ Não foi.”

10. Como entrar na política
O capítulo “Ligações perigosas: o Partido Social Democrata”, começa da seguinte forma: “Conto a minha história. Desde pequeno sempre tive uma certa inclinação pelo PSD. Era do Benfica e do PSD. Não havia nada de especialmente racional nessa escolha.”
Certo, explicará adiante, é que há um momento em que sente que deve entrar na política. Era professor, doutor em Direito, tinha uma carreira profissional e uns “artigos escritos nos jornais”, por isso resolveu “colocar as antenas no ar para saber como poderia aderir e fazer alguma coisa no PSD.” O que basicamente lhe disseram foi: “Arranja uma agência de comunicação, que eles tratam disso.”
Verde arranjou “não uma, mas três agências de comunicação”, conta. Seguem-se os detalhes das diligências feitas por estas. E os resultados: por exemplo, integrou um grupo de professores universitários que fez estudos para a distrital do PSD. “Deram-nos graxa e produzimos uns relatórios, que rapidamente foram esquecidos ou que apareceram nos jornais para fazer manchetes como se fossem ideias avançadas pelo Dr. [António] Preto. Comecei a perceber que éramos uma espécie de penachos do partido. Uma espécie de imbecis úteis.”

11. Os advogados mandam
Os artigos que vai publicando nalguns jornais levam-no ao contacto com ministros do PSD, continua. É convidado para conferências e debates, caminho que “curiosamente foi feito sem apoio dos agentes de comunicação”. Mas, uma vez mais, acaba por desiludir-se.
Rui Verde conta, por exemplo, que um dia a ministra do Ensino Superior Maria da Graça Carvalho marcou uma reunião para o ouvir sobre a reforma do ensino superior privado. “Para meu espanto, são-me apresentados dois advogados bem-postos – uma esbelta senhora loura, vestindo as marcas adequadas, e um rapaz mais novo, com a tradicional camisa branca engomada –, pertencentes a uma dessas sociedades de advogados chiques e a quem eu deveria expor as minhas ideias. Percebi que não eram o ministério e a sua equipa que faziam as leis. Estas eram encomendadas a escritórios de advogados! Fiquei perplexo.”

(...)13. O dia da detenção
“Estava só, quando fui preso. Nem sequer um advogado comigo. Aqueles advogados caros que eu tinha sustentado ou aqueles que tinha lançado na profissão, entregando-lhes causas importantes ou menos importantes, desapareceram. Fui preso sozinho.” Eram sete da manhã do dia 21 de Março de 2007.
Seguiram até à quinta que eu tinha no Ribatejo e, quando estávamos a chegar, pediram que ligasse à empregada para prender os cães. Assim fiz, percebendo que estavam bem informados. Ou talvez não, pois insistiam que queriam ir ver a casa no Algarve, local onde não tinha nem nunca tinha tido qualquer casa. (...) Passei o dia com a polícia em voltinhas pelas casas e lojas – as reais e as inventadas. Só ao fim do dia, quando cheguei à sede da polícia, é que comecei a achar que algo de muito mais anormal se passaria.”
(...)As horas passavam. “Depois de ter falado, já noite bem entrada, não percebendo bem o que me estava a acontecer – ao contrário dos filmes, ninguém me lera os direitos nem sequer me explicara o que estava ali a fazer –, fui confrontado com um papel que determinava a minha detenção, por comandar um poderoso grupo criminoso da alta finança internacional com ramificações pelo mundo inteiro.”(...) fonte

"Processo individual de Sócrates continua nas mãos de Rui Verde, nunca chegou a ser analisado pela procuradora-geral adjunta Cândida Almeida e a procuradora-adjunta Carla Dias, responsáveis pela investigação!
"A totalidade dos originais do processo individual relativo à licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente (UnI), que o PÚBLICO viu e fotografou, encontra-se na posse de Rui Verde, antigo vice-reitor daquele estabelecimento. Rui Verde, que está a ser julgado, juntamente com 23 outros arguidos, pela alegada prática de numerosos crimes na gestão da UnI, diz que tem o dossier de Sócrates desde “muito antes” da abertura do inquérito judicial que, em Agosto de 2007, concluiu não ter havido “qualquer crime de falsificação de documento autêntico” na obtenção da licenciatura do então primeiro-ministro.
No interior de uma capa de cartolina da UnI com o nome de José Sócrates e o número 95385 Rui Verde tem os originais dos diferentes documentos que constituem o dossier do aluno – incluindo o certificado de habilitações emitido em seu nome pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) em Julho de 1996 e que servira de base, um ano antes, à atribuição das equivalências às disciplinas da UnI.
Ao jornalista do PÚBLICO, o então reitor Luís Arouca, que é também um dos arguidos do processo que está a ser julgado em Lisboa, explicou mesmo, nessa altura, que ele só podia aceder às cópias, visto que, “por questões logísticas”, os originais não estavam disponíveis.
Pauta não assinada
A análise detalhada dos originais detidos por Rui Verde não mostra, todavia, grandes diferenças de conteúdo entre estes e as cópias tornadas públicos há quatro anos. Mas as que mostra são óbvias.
Uma delas prende-se com a pauta relativa à prova de Inglês Técnico de José Sócrates. Nem cópia nem original são datadas, mas a cópia exibida aos jornalistas apresenta uma assinatura ilegível do “responsável pela classificação”. Já no exemplar de Rui Verde, a mesma pauta, idêntica em tudo o resto, mas preenchida a azul e em impressos originais, não tem qualquer assinatura.
O outro documento que não coincide com as cópias mostradas aos jornalistas é a própria prova feita por Sócrates na mesma disciplina. De acordo com o que escreveram na altura as jornalistas do Expresso que viram as cópias, as correcções efectuadas por Luís Arouca nas três páginas do texto entregue por aquele aluno estão assinaladas a vermelho. Ora no exemplar que está na posse do antigo vice-reitor elas estão inscritas a lápis.
Apesar de não se alongar no livro em relação às diferenças que encontrou entre os originais e as cópias divulgadas, o autor sustenta que a sua prisão em 21 de Março de 2007, véspera da divulgação das falhas existentes no dossier de Sócrates nas páginas do PÚBLICO, está ligada à licenciatura do antigo primeiro-ministro – embora tenha ocorrido no quadro de uma investigação relativa à gestão da universidade.
Rui Verde lembrou ontem que nessa altura o seu telefone estava sob escuta, no âmbito daquela investigação, e que na tarde do dia 21 tinha um encontro marcado com uma jornalista do Expresso a quem iria falar da existência de irregularidades no processo de Sócrates.
Julgamento em curso
Coincidindo com a polémica da licenciatura do ex-primeiro ministro verificou-se uma intensificação da luta pelo poder que se arrastava na UnI. Meses depois, em Outubro de 2007, o ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, ordenava o seu encerramento compulsivo por “manifesta degradação pedagógica”.
As acusações cruzadas de práticas ilegais por parte das diferentes facções da universidade dariam entretanto origem ao chamado processo da Universidade Independente. O inquérito judicial referente a estes factos foi concluído em Maio de 2010 com a decisão do juiz de instrução criminal Carlos Alexandre de levar a julgamento 24 arguidos, entre os quais Luís Arouca e Rui Verde. A acusação imputa-lhes a prática de dezenas de crimes, desde associação criminosa, a burla, falsificação de documentos e fraude fiscal.
O julgamento teve início em Maio deste ano, no Tribunal de Monsanto, e vai agora a meio. O colectivo de juízes é presidido por Ana Peres, a magistrada que dirigiu o julgamento do processo Casa Pia." Público

Entrevista a Rui Verde
"Rui Verde, ex-vice-reitor da Universidade Independente, revela as irregularidades na licenciatura do antigo primeiro-ministro, estranha que o caso tenha sido arquivado e diz que o assunto deveria ser analisado em tribunal.
 - Por que razão só agora decidiu revelar os originais do curso de José Sócrates?
 - Rui Verde - As condições políticas alteraram-se. Desde 2007, fui falando com algumas editoras, mas não passou disso. Acho que na altura ninguém se atreveu a dar um ‘forward' ao livro.
- O ex-primeiro-ministro foi ou não beneficiado pela Universidade Independente (UnI)?
- Essas respostas devem ser dadas noutra sede. O meu objectivo é colocar o assunto em discussão com factos.
- Porque levou consigo o processo de Sócrates?
- Porque era um documento com uma série de irregularidades administrativas. Basta olhar para os papéis e ver que as coisas estão mal feitas.
- Já tinha falado sobre isso com Luís Arouca? Obteve respostas?
- Falei. Algumas obtive, mas não vou revelar porque sei que não vai confirmar.
 - Sócrates era um aluno especial?
- Quando entrou, não era assim tão especial. Era um deputado do PS que se dedicava às questões do Ambiente. Depois foi para secretário de Estado...
- A licenciatura ajudou?
- Imagino que sim. Portugal é um país em que se dá muito peso à licenciatura.
- E Sócrates deve ser tratado por Sr. Engenheiro ou Sr. Bacharel?
- Por engenheiro não se pode tratar, porque ele não está inscrito na Ordem dos Engenheiros.
- Há registo das aulas?
- Não conheço. Mas, tendo em conta o processo que está no DCIAP, parece que há.
- Pertencendo ele a turmas, como é que se explica que o nome apareça isolado nas pautas?
- É uma das questões que não é muito clara. Porque é que aparece só o dele? Estranho...
- E também não há registo de uma tese final.
- Pois não. Se houvesse, tinha ficado registado na biblioteca. A minha experiência diz-me que quanto mais cavo, mais descubro. Há um mistério por desvendar, isso há.
- E há registo de propinas?
- Na matrícula diz ‘isento'. Porquê não sei. Não estou a ver a razão.
- Em que altura se apercebeu de tudo isso?
- Quando o secretariado de Sócrates começa a pedir certificados de equivalências para entregar na Câmara da Covilhã. Começo a perceber que há qualquer coisa estranha quando, em 2007, estala a guerra e vejo o Governo completamente parado. Pensei: ‘Há aqui gato escondido com o rabo de fora.' Nessa altura, falei do processo ao professor Luís Arouca. Se ele sanou as irregularidades ou não, veremos. Tem de haver mais documentos de suporte, se não desapareceram.
- A sua detenção foi mais do que uma coincidência?
- Acho que sim. - Porque é que acha que Sócrates é testemunha abonatória de Luís Arouca? Dão-se assim tão bem?
- Agora não se devem dar tão bem, porque Sócrates fechou-lhe a universidade e eu acho que Luís Arouca tinha esperança de que ele não o fizesse.
- Ao ler o seu livro, fica a ideia de que a UnI era procurada por gente que precisava urgentemente de conseguir um ‘canudo'. Armando Vara, por exemplo, conseguiu um diploma três dias antes de entrar para a CGD. É coincidência?
- Analisei com cuidado o processo de Armando Vara e não encontrei irregularidades. Quanto à data do curso, de facto temos aqui mais uma coincidência.
 - A UnI recorreu à CGD, através de Vara. A ajuda foi recusada. Sócrates interferiu?
- Há quem diga que os problemas da UnI coincidem com a chegada de Sócrates a primeiro-ministro.
 - Hermínio Loureiro foi lá para conseguir um ‘canudo' para se candidatar à Liga?
- Fez exames orais.
- Era uma universidade com grande propensão a gente política...
- Não era a única. A maior parte da geração actual da política veio de universidades privadas. E mais não digo.
- Era costume os alunos enviarem cartõezinhos ao reitor?
- Claro que não. Embora o reitor fosse uma pessoa aberta, as coisas não funcionavam com cartõezinhos.
- Por que razão a maioria das cadeiras foi dada pelo mesmo professor, amigo de Sócrates?
- Não faço a mínima ideia. Agora não sei se são amigos.
- Era bom para a UnI ter José Sócrates como aluno?
- É possível.
- Também achou que era positivo?
- Não sabia se as irregularidades correspondiam a irregularidades substantivas. Agora estou convencido de que sim. É tudo bizarro, mas estas coisas já passaram pelos olhos da doutora Cândida Almeida, que achou tudo normal. 
 - Por aquilo que se lê no livro, acaba por se concluir que o curso é uma fraude.
- Não quero tirar conclusões. No livro está subentendida a minha opinião, que darei em tribunal se pedirem.
- Qual foi a sua intenção agora ao publicar o livro?
- Foi contar a história da universidade do ponto de vista político e dos enredos.
 - Tem esperança de que o processo seja reaberto?
- Tenho esperança que haja um julgamento sobre o assunto.
- E acha que vai haver?
- [Silêncio] Talvez não.
- Porquê?
- O Ministério Público (MP) não está vocacionado para investigar o próprio poder político. A drª Cândida Almeida está limitada por pertencer a uma organização hierárquica. O MP responde pelo Estado. Quem ocupa o poder é o Estado, e o Estado é uma ficção. Deveria ter sido nomeado um juiz independente. O dr. Carlos Alexandre, por exemplo. Aí teríamos a certeza de que haveria uma investigação independente.
- Como reage aos comentários de pessoas que se cruzaram consigo na UnI e que o contradizem? 
- Marques Mendes não contradisse. Disse que era um delírio o livro. Montal vão Machado foi professor por um dia. Ele dá uma interpretação e eu dou outra. O único que não se lembra de nada é o dr. António Preto.
PERFIL - Rui Verde nasceu há 45 anos em Lisboa. Foi casado com a juíza Isabel Pinto Magalhães, arguida num processo ligado ao caso UnI. Doutorado em Direito pela Universidade de Newcastle, Inglaterra, Rui Verde foi professor durante quase 20 anos e vice-reitor da Universidade Independente, que fechou em 2007. Rui Verde: "Sócrates não pode ser tratado por engenheiro" (COM VÍDEO) CM


 

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