17 julho, 2014

Pina Moura: "De Cunhal dos pequeninos a cardeal dos socialistas."

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Há partidos que são vistos como meras rampas de lançamento, para voos mais altos. Para alguns claro, nem todos têm a "sorte" de conseguir passar da eterna oposição para o eterno poleiro, que uma vez alcançado, jamais deixará de render milhares ou mesmo, milhões de euros.
Por isso muitos encaram alguns partidos como porta de entrada na vida gloriosa e fácil de ser politico em Portugal: Fortuna, glória e fama tudo de mão beijada, sem esforço sem mérito, sem responsabilidade e, claro, com toda a impunidade.

"Aquele que um dia foi um dos mais promissores políticos comunistas, delfim de Cunhal, transformou-se, em 15 anos, num dos mais badalados capitalistas nacionais com várias ligações.
Eis o perfil de Joaquim Pina Moura, um homem 12 vezes mais rico do que quando iniciou a sua carreira política.
Em Outubro de 1991, um militante comunista com o cartão nº 130 entrava na sede do PCP e entregava um envelope com 14 páginas manuscritas. Joaquim Pina Moura explicava os motivos pelos quais abandonava o partido a que aderira em 1972.
Quando na véspera da Assembleia Geral da Media Capital, Pina Moura renunciar ao lugar de deputado e abandonar os cargos nos órgãos nacionais do PS, onde se filiou em 1995, para assumir o lugar de administrador não executivo da empresa que domina a TVI, irá cumprir o que prometera numa entrevista ao Expresso em 2000 e em que (quase) ninguém acreditara nessa época: "eu reformar-me-ei" da política.

Sai da política activa uma pessoa diferente. 34 anos depois de aderir ao PCP e 12 de militância PS, Pina Moura é hoje um homem mais rico e sobretudo mais influente a nível empresarial. Em 12 anos, triplicou o seu rendimento. Segundo o declarado, na declaração de IRS teve um rendimento bruto em 1994 de cerca de 44 mil euros.
A declaração é conjunta com a mulher, a enfermeira Herculana Rosa Diogo de Carvalho, filha de um mítico militante comunista e herdeira da grande fortuna do avô paterno.
Em 1995, ano em que chega ao PS e ao Governo, ainda enquanto secretário de Estado adjunto de António Guterres, o rendimento bruto apurado para efeitos de IRS atinge os 59 mil euros. Em 2001, ano em que cessa funções governamentais, declara um rendimento como trabalhador dependente de 72.398,7 euros (este terá sido o rendimento individual já que ao contrário dos outros anos em que optou por apresentar os comprovativos da entrega do IRS, neste caso o valor foi divulgado no formulário do Tribunal Constitucional, onde se pede o valor individualizado).

Ao minuto 1, Marinho Pinto conta o caso de Pina Moura


A promiscuidade entre o poder público e privado- outro video fabuloso
A última declaração recebida por esta instância, data de Março de 2005, apresenta o rendimento de 2003, ano em que Pina Moura além de deputado era consultor do Millennium bcp. Nesse ano recebeu 54.493,7 euros como trabalhador dependente e 118.164,5 euros como independente.
Pina Moura, que deixa o Parlamento no dia 2 de Maio, tem 60 dias para actualizar a informação ao Constitucional, mas a presidência da Iberdrola, que assumiu em 2004, estima-se que lhe renda, mensalmente, 60 mil euros, a que se juntam os cerca de nove mil euros da Media Capital.
Pina Moura, à RTP, justificou a opção da Prisa pelos créditos que lhe são conferidos como gestor. Certo é que a sua vida na gestão executiva começa tarde. A influência política, no entanto, vem de trás.
O "Cunhal dos Pequeninos", como era conhecido nos tempos em que liderava a União dos Estudantes Comunistas (UEC) e era apontado como potencial sucessor do líder mítico.
Governante socialista
Talvez por isso a aproximação ao PS parecesse tão rápida - o grupo tinha a convicção de que era possível empurrar, por dentro, o PS para a esquerda - e, comentariam os cínicos, acabariam eles por ser arrastados para a direita.
Estabelece uma cumplicidade com Guterres, sobre o qual dirá que o facto de o ter conhecido foi "das coisas muito boas" que lhe sucederam na vida. Pina Moura será, sucessivamente, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, ministro das Finanças e superministro da Economia e das Finanças. É como governante que começa a sua aproximação ao mundo empresarial.
Entretanto, salta para o jargão político o cognome "cardeal". Jorge Coelho leu um artigo no Avante! em que surge aquele título eclesiático numa comparação entre Guterres e Pina Moura com Luís XIII e Richelieu - e, desde então, o próprio chefe do governo adoptaria a alcunha com que se referia ao seu ministro.

EM 2006 - (...)"Mas o CDS/PP não pretende só ouvir explicações do Governo e prepara-se para solicitar a audição parlamentar do deputado do PS, Pina Moura, como representante da eléctrica espanhola Iberdrola, sobre a possível entrada desta nos órgãos sociais da empresa portuguesa de electricidade.
A polémica continua em torno da presença da Iberdrola, concorrente da EDP, no conselho superior da companhia portuguesa, no âmbito de um novo modelo de governação a criar em breve e já consensualizado entre accionistas privados e públicos.
Pires de Lima sugeriu que o Governo pretende favorecer a empresa espanhola. E acusou José Sócrates de ter "uma compulsiva inclinação para interferir na vida das empresas com alguma ou muita dependência pública, instrumentalizando as mesmas para seu aproveitamento político ou de companheiros partidários".
O que a Iberdrola, liderada em Portugal pelo agora deputado socialista Pina Moura, tem a ganhar com esta situação é óbvio para todos", sublinhou o responsável do CDS/PP, adiantando que "o objectivo último desta iniciativa, facilitada pelo Governo português, tem como propósito a absorção da empresa portuguesa pela sua concorrente espanhola"."
Em 2005 - "A Iberdrola quer atingir em Portugal, nos próximos cinco anos, uma quota de mercado de electricidade entre 15% e 20%, fornecendo mais de um milhão de consumidores. A meta foi ontem assumida por Joaquim Pina Moura, presidente-executivo (CEO) da Iberdrola Portugal, à margem da apresentação pública de um protocolo assinado com os CTT. A Iberdrola aguarda apenas que "algumas questões técnicas" relacionadas com a abertura do mercado doméstico (baixa tensão) sejam resolvidas, o que segundo Pina Moura, "poderá ocorrer no final de 2005 ou no princípio do ano que vem".
Em 2008 - "A Iberdrola anunciou, a criação da Aeólia, uma sociedade para a prospecção, desenvolvimento e construção de parques eólicos em Portugal. A nova empresa resulta de uma parceria com o grupo Visabeira e a A. Mesquita e arrancará com um capital social de 150 mil euros. A empresa espanhola é o principal accionista (78%), ao passo que os parceiros portugueses têm participações de 11%.
Miguel Sousa Tavares, Expresso de 9 de Setembro de 2006
"Pina Moura continua a acumular alegremente os ordenados de Deputados na Assembleia da República e de Administrador da Iberdrola espanhola em Portugal, numa flagrante incompatibilide Moral, mas não Legal, o que só demonstra a insuficiência e as lacunas gritantes da actual “Lei das Incompatibilidades”… E que prova também as preocupação quanto ao bem do Estado e de todos nós desta frívola e oscilante personagem: não hesita em prejudicar Portugal e os portugueses em troca do chorudo ordenado que lhe paga a Iberdrola e que… acumula com o ordenado de deputado, pago pelos mesmos deputados que jurou representar e defender.
Até quando é que vamos continuar a votar nestes personagens?"

Carta de um cidadão a Pina Moura
"Caro Dr. Pina Moura
Antes de mais peço desculpa por não acrescentar um título, ainda pensei em dirigir ao Ex.mº Senhor Administrador da Iberdrola, mas não faz sentido um cidadão dirigir-se ao administrador de uma empresa de que não é cliente, não tenho nada a reclamar. Também receei dirigir-me ao senhor deputado porque há muito que não o vejo em labutas parlamentares, o seu esforço para representar os seus eleitores não deve ir além das assinaturas no livro de ponto das sessões parlamentares.
Mas os problemas não ficaram por aí, também tive dúvidas quanto à morada, daí que tenha optado por este espaço. Receei que se mandasse a carta para a Iberdrola e a remetesse para o senhor deputado seria tão confuso como a mandar para o parlamento dirigida ao administrador da Iberdrola.

Estou convencido do que o senhor sabe distinguir as funções melhor do que ninguém, eu é que ando confuso, já o vi falar simultaneamente enquanto deputado e enquanto administrador numa entrevista à SIC Notícias, e confesso que sempre que o vejo nos ecrãs cometo o crime do jogo ilegal, mantenho um sistema de apostas caseiro em que ganha quem adivinhar se a sua próxima intervenção vai ser como deputado ou como administrador, e se falar se falar nas duas condições o prémio fica para a banca.
Eu sei que o senhor deputado-administrador tem capacidade para isso e muito mais, só o destino é não o levou mais longe, até há quem diga (gente maldosa, claro) que quando ainda era assessor do Guterres comentava com os colegas do gabinete que era melhor do que o primeiro-ministro. Bem, mas não é para a má-língua que venho escrever-lhe.
Escrevo-lhe para lhe dizer que vou inscrever-me no seu circulo eleitoral para voltar em si nas próximas legislativas, desse forma parto para a urna de voto como eleitor e quando sair sentir-me-ei como um accionista da Iberdrola ao terminar a assembleia da empresa." 2006 em "O Jumento"

Outra versão do personagem.
Perfil dum corrupto: Pina Moura
É um político que se adapta a todas as situações, logo que daí lhe advenham vantagens económicas/financeiras.
Quando pressentiu o fim do Salazarismo, ligou-se às correntes progressistas da época, filiando-se no PCP (Partido Comunista Português), onde desenvolveu exaustiva e exuberante actividade conspiratória dos então movimentos de oposição ao regime. Foi nomeado presidente da organização estudantil UEC. Entretanto foi requisitado para o Comité Central do partido, em Lisboa, deixando por concluir o curso de engenharia, faltando-lhe somente uma cadeira.
Entretanto casa com a neta do maior proprietário urbano da cidade do Porto, senão o maior.
Dado o seu envolvimento nos movimentos oposicionista, inclusive o Movimento Comunista, o que fazia com exuberância e sem recato, fica um ponto de interrogação nunca ter sido incomodado pela PIDE.
No comité central, evidencia-se como um militante de grande prestígio, a ponto de começar a ser apontado como sucessor do secretário Álvaro Cunhal, que já assessorava nos "meetings"e nas Festas do Avante e, por delegação do Secretário-Geral, já o substituía em muitos actos públicos.
Porém a revolução era cada vez mais uma miragem, era tempo de mudar de amigos e de camaradas. O Partido Socialista era o próximo que se perfilava para dar nome e dinheiro.
Passar do PC para o PS, era forçar um bocado a barra. Ele, e uns oportunistas do mesmo “calibre” como o José Luís Judas, o Mário Lino, o José Magalhães e o Miguel Portas, formaram a «Plataforma de Esquerda» (o que era isso???). O PS, previsivelmente, ia ganhar as eleições!
O "comunista" do Pina Moura e os outros companheiros da Rute, tinham de mudar de bíblia. O poder era agora do engenheiro Guterres. O nosso comunista, aproveitando o facto da mulher ser enfermeira especializada, vai para o serviço particular da enferma esposa do 1.º Ministro (Guterres) e é imediatamente nomeado Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro.
Augusto Mateus, que era seu professor na Faculdade de Economia e Finanças, era o indigitado para ser ministro das Finanças no primeiro governo do Eng. Guterres.
O PINA MOURA, tira-lhe o tapete e “obscuramente” ou por influência da “via vaginal” é o nomeado Ministro da Economia, e logo a seguir, acumula com a pasta das Finanças. Com o facilitismo do Guterres, as bem-aventuranças do padre Melícias, e a incompetência deste ministro da Economia e Finanças, legaram ao País, o célebre “défice”, que ainda estamos a aguentar.
No entanto, o “comunista, agora socialista”, foi deputado na Assembleia da República, sendo actualmente, entre vários "tachos", consultor do banco Millennium BCP, na área da Energia, Presidente da Iberdrola Portugal (que inclui Espanha, recebendo mesmo o vencimento do governo espanhol, uma vez que a empresa nunca avançou para Portugal, limitando a sua exploração em Espanha, de acordo com o seu camarada espanhol oriundo de Salamanca). É membro do conselho de administração da Galp Energia, da Neo Energia do Brasil, da Eléctrica da Guatemala e administrador da Média Capital (TVI).
Os seus companheiros do PCP, também merecem ser analisados.
Ora vejamos:
José Luís Judas, presidente da Câmara de Cascais, está a braços com queixas-crime, processos fiscais, corrupção com empreiteiros (mas tem a protecção do partido);
Mário Lino, é o actual Ministro das Obras Públicas – o célebre "jamais" – e tem com o Pina Moura, largos terrenos na OTA;
José Magalhães, secretário de Estado do Ministro da Administração Interna, tem a fortuna do pai (ganha na mercearia do Musseque, de Luanda).
Pina Moura, a 21 de Julho de 2004 foi contratado para presidente da Iberdrola Portugal, tendo convidado Fernando Pacheco, seu ex-secretário de Estado do Orçamento, para ocupar um lugar de executivo na mesma empresa. Confrontado com a incompatibilidade ética de exercer as funções de deputado e ser Presidente da Iberdrola, respondeu que "a ética da República é a ética da lei".  Mas que Lei, a dos corruptos?
Moura vai abandonar a presidência da Câmara de Seia, porque os proveitos são nulos. E, ridículo dos ridículos, concertado, possivelmente, com o "cacique" Sócrates, ainda tem a lata de escrever um artigo de opinião em que responsabiliza o Prof. Cavaco Silva pelo actual défice!
Se estes "corruptos" continuarem a governar o país, o nosso Pina Moura vai ter longos e proveitosos tempos. Artigo completo

Pode ainda consultar a grande obra de investigação de António Sérgio Azenha, "Como os Políticos enriquecem em Portugal" para conhecer mais sobre Pina Moura e outros que políticos sem ideais ou patriotismo e que, como cata ventos, sempre se orientaram por ventos com aroma de dinheiro.


6 comentários :

  1. É por estas e outras que adoro comunistas. Apregoam a igualdade e a defesa dos mais frágeis mas, quando sentem o cheiro do dinheiro e do poder ficam tão ou mais gananciosos que os liberais.
    Falta de ética e honestidade da direita à esquerda é gritante e, enquanto continuarmos no deixa rolar que eles roubam mas ainda assim deixam-nos alguma coisita, nada mudará e a corrupção mais fortalecida ficará.

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    1. Pois... se chegarem aos cofres públicos, ficam iguais,

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  2. PSD/PS/CDS-PP Arco da governação ou da corrupção18 julho, 2014 01:23

    A par de Pina Moura, Luís Judas, Mário Lino e José Magalhães ainda falta uma personagem, mais peculiar do que todos eles juntos: A inigualável Zita Seabra

    “Eleita pelo círculo de Coimbra em 2005, é deputada e foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia da República até Outubro de 2007. Nesta legislatura destacou-se pelas posições que tomou contra a legalização do aborto, de que havia sido uma das mais acérrimas defensoras nos tempos de militância comunista. No XIII Congresso do PSD, passou a ser um dos seis vice-presidentes da Comissão Política Nacional deste partido, cargo que desempenhou até Maio de 2008.” - Wiki

    Zita Seabra mais próxima do Opus Dei
    Antiga dirigente comunista é admiradora de Josemaria Escrivá

    “Seria impensável ver um membro do Partido Comunista no Opus Dei. No entanto, uma ex-delfim de Álvaro Cunhal, Zita Seabra, tem vindo a aproximar-se da obra. A também ex--deputada do PSD já participou em eventos do Opus Dei, numa identificação que terá começado com a publicação de um livro de monsenhor Hugo de Azevedo (membro histórico da obra) sobre Josemaría Escrivá. Também o livro Opus Dei, da autoria de John L. Allen (correspondente da CNN no Vaticano, acusado de o ter escrito por encomenda da prelatura), foi publicado em Portugal pela Alêtheia, editora de Zita Seabra. Além de presidente desta editora, Zita preside uma empresa sedeada em Óbidos, a Várzea da Rainha Impressores (VRI), que, por sua vez, tem como acionista a Naves, uma sociedade financeira detida maioritariamente pela... escola superior afeta ao Opus: a AESE.” -DN

    A deputada do PSD e ex-dirigente comunista Zita Seabra defendeu hoje que "o erro do comunismo" está nas suas ideias, durante o lançamento do livro "Foi Assim" que relata a sua adesão e expulsão do PCP.
    "Há uma ideia-chave neste livro: o que está errado no comunismo não é a prática. A prática falhou em todos os países", defendeu Zita Seabra, salientando que foram "os erros nas ideias que fizeram aquela prática".
    Sublinhando que este "não é um livro de história mas de memórias", Zita Seabra disse não ter ressentimentos para com o Partido Comunista.

    Na apresentação do livro estiveram muitas caras conhecidas, sobretudo do espaço político do centro-direita: o líder do PSD, Marques Mendes, o ex-primeiro-ministro Santana Lopes, o presidente da bancada social-democrata Marques Guedes e os ex-ministros Bagão Félix, Amílcar Theias e Pedro Roseta.
    O eurodeputado do PSD Vasco Graça Moura, os deputados do CDS-PP Diogo Feio e José Paulo de Carvalho foram outros dos políticos a marcar presença.
    O livro "Foi Assim", publicado pela editora Aletheia, relata em 440 páginas a evolução política e pessoal de Zita Seabra, tendo como pano de fundo o processo que levou à derrocada do regime soviético.” - JN 2007


    “Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” - Lucas 15:7

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  3. ,,,por falar em prostitutos da política19 julho, 2014 02:06

    “Não foi a Rio Forte, o GES e a sagrada família que faliu, também faliu uma democracia alicerçada em corrupção e apoiada em políticos inúteis e vendidos. Não é apenas o montante do buraco do GES que tem sido escondido dos mercados, mais do que isso é a imensa lista de políticos corruptos deste país que recebeu dinheiro do BES, aliás, muitos deles receberam do BES e de outras entidades financeiras.

    Não é apenas a sagrada família que está falida, é também toda uma classe política que a troco de benefícios e gorjetas foi enriquecendo ao mesmo tempo que condenava o país ao subdesenvolvimento. Com políticos corruptos, um sistema financeiro oportunista e uns quantos grupos económicos proxenetas não há país que se desenvolva.” - J.

    Governa quem tem votos, governa quem manda
    (…)
    “A relação do BES com o poder político durante o século XX foi intensa e estruturante, por isso mereceu ser estuda em pormenor e o resultado está à nossa disposição (em Donos de Portugal). Vale juntar a essa cartografia da força económica, as expressões políticas pela quais se manifestou nos diversos governos. A cooptação de dirigentes capazes de se moverem entre a política e os negócios, com a subtileza e hibridez necessárias, é a primeira evidência da grande mecânica. Basta, para tal, constatar que o grupo BES esteve presente, através de governantes que transitaram dos seus quadros para o governo ou que aí aportaram depois da passagem pelo executivo, em 16 dos 19 governos Constitucionais. É preciso recuar ao governo de Maria de Lourdes Pintassilgo para encontrar um executivo cujos membros não estabeleceram, em algum momento, um vínculo com o BES.

    São várias as formas como o maior banco privado português construiu a sua rede de influência entre os governantes, como diferentes são os sinais de retribuição de cada um dos 25 Ministros e Secretários de Estado que se cruzaram com os destinos do BES. Encontramos percursos de relevo pelo papel desempenhado em momentos chave da economia portuguesa, como é caso de Ernâni Lopes, Ministro das Finanças do Governo do Bloco Central (1983-1985), responsável pela chamada Lei de Delimitação de sectores, aprovada em 1983, que pela primeira vez desde as nacionalizações abria o sector da banca à iniciativa privada, preparando assim a primeira fase de privatizações. A criação do Banco Comercial Português, em 1984, com capitais coordenados por Américo Amorim, teve o apoio deste economista e quadro do Banco de Portugal. O BES foi, posteriormente, o único banco privado no qual Ernâni Lopes desempenhou funções de administração (2002-2003).

    Na fase seguinte, os governos de Cavaco Silva são marcantes para a recomposição do grupo, abrindo os campos legais à privatização (criação das sociedades anónimas de capitais públicos e nova revisão constitucional), e gerindo estrategicamente a entrega das seguradoras como primeira etapa de recomposição do poder financeiro. A privatização da Tranquilidade, com o apoio do Crédit Agricole e o apadrinhamento político de Mário Soares, foi fundamental para o regresso da família Espírito Santo e o fortalecimento financeiro indispensável no ataque à privatização do BES.

    É um período no qual Miguel Horta e Costa ocupa o cargo de Secretário de Estado do Comércio Exterior (1987-1990), decisivo nas novas relações com a banca europeia, para logo depois ingressar na presidência do BES Investimento (1990-1995). Um acontecimento não inédito na família, uma vez que o seu tio, Miguel Jorge Horta e Costa, o quinto Barão de Santa Comba Dão, era muito próximo de Manuel Ricardo Espírito Santo, do qual recebeu a administração da Mocar e Santomar. Nesta fase ingressam ainda no banco ex-governantes como Rui Machete (1990-1991), Emílio Vilar (1985-1986) e Almerindo Marques (1985). Este último viria a reencontrar o BES já na qualidade de presidente das Estradas de Portugal, tendo por função a supervisão do consórcio que o banco mantem com a Mota-Engil (Ascendi).
    (...)

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  4. ...por falar em prostitutos da política 219 julho, 2014 02:13

    (...)

    Comprovamos essa adaptação com as privatizações dos sectores estratégicos lançadas por António Guterres, que conferiram ao BES um lugar de comando na banca nacional. A relação de credor com a PT passa a ser um dos pilares do grupo, com Murteira Nabo a saltar de Ministro de Guterres para a presidência da telefónica (1996-2003), integrando, quatro anos mais tarde, a administração do BES. No mesmo período, um ex-quadro do BES, António Mexia, chega ao comando da Galp, petrolífera onde o banco manteve uma posição até o ano 2000, alienando-a à ENI e Iberdrola por influência do inevitável Pina Moura.

    O início do século marca a expansão do grupo BES a outras áreas de influência, como a saúde, cuja atividade pôde contar com a consultadoria da atual presidente do PS, Maria de Belém Roseira, assim como a consolidação do seu braço institucional, a Fundação Ricardo Espírito Santo, que coopta para a sua presidência a ex-Ministra da Cultura, Maria João Bustorff. Já no tempo de Sócrates, a influência do BES permanece, com os destinos da economia entregues ao seu quadro de longa data, Manuel Pinho, que agora acordou uma reforma milionária com o banco.

    Os laços de influência e poder do BES são hoje mais visíveis, uma vez que a crise no grupo exige uma mobilização agressiva dos seus recursos políticos. As anunciadas nomeações de Vítor Bento e de João Moreira Rato para a condução do banco comprovam a tendência geral do sector: a burguesia financeira portuguesa perde espaço com a crise, o Estado é convocado e os quadros orgânicos do poder mobilizados. A fatura será entregue, é certo, não fosse este ainda um começo de uma outra história, onde os bons possam, porventura, tentar a sua vez.” - Adriano Campos

    Bocage - Não lamentes, oh Nise, o teu estado;

    Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
    Puta tem sido muita gente boa;
    Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
    Milhões de vezes putas têm reinado:

    Dido foi puta, e puta dum soldado;
    Cleópatra por puta alcança a c'roa;
    Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
    O teu cono não passa por honrado:

    Essa da Rússia imperatriz famosa,
    Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
    Entre mil porras expirou vaidosa:

    Todas no mundo dão a sua greta:
    Não fiques, pois, oh Nise, duvidosa
    ue isto de virgo e honra é tudo peta.

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