09 fevereiro, 2014

COMO A CORRUPÇÃO NASCE E O POVO É SILENCIADO?


Quando os bons se calam os maus avançam, quando não há punição, não há medo...
Quando não há medo, roubam-nos tudo, até a capacidade de nos defendermos.
Votem contra, não deixem de participar e fazer justiça nas urnas. Só com o julgamento e a punição se eliminam os criminosos/ maus políticos e se apoiam os bons. Chegamos a um ponto em que os bons já nem se atrevem a disputar as eleições, porque perceberam que a injustiça e inércia do povo, não os compensa na luta, não os avalia nem julga correctamente.

- Maiakovski, poeta russo escreveu, no início  do século XX :
Na primeira noite, eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
    Maiakovski (1893-1930)

- Depois Bertold Brecht escreveu:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram os desempregados
Mas como eu tenho o meu emprego
Também não me importei
Agora estão me a levar a mim
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo. Já não há ninguém...
       Bertold Brecht (1898-1956)

- Em 1933 Martin Niemöller criou o seguinte poema:
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram o meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram a mim;
já não havia mais ninguém para reclamar…
       Martin Niemöller,(1892-1984)– símbolo da resistência aos nazistas.

- Em 2007 Cláudio Humberto presenteou-nos assim:
Primeiro eles roubaram-nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…
       Cláudio Humberto, em 09 Fevereiro de 2007

- Também Martin Luther King (1929.1968):
O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética… o que mais me preocupa é o silêncio dos bons!.

Actualmente...
Um dia bateram-me à porta e anunciaram-me que o governo tinha decidido cortar-me meio subsidio de Natal. Apesar de inconstitucional, compreendi o sacrifício que o Governo me pedia.
Noutro dia bateram à porta do meu pai e anunciaram-lhe que iam cortar meia pensão do Natal. Apesar de considerar que era um roubo, ainda admiti, porque o pais estava em estado de emergência.
Depois bateram-me à porta e anunciaram que me iam tirar dois meses de salário e dois meses de pensão ao meu pai. Depois da estupefacção resignação.
A 7 de Setembro, bateram-me à porta para me anunciar que tiravam 7% do salário para dar 5,75% ao patrão e ficavam com os trocos, em principio para os cofres da Segurança Social.
Desta vez fiquei indignado. Achei que estava a ser roubado e que estavam a transformar os patrões em receptadores do dinheiro roubado. Em reacção, corri para a rua para protestar.
Bateram-me mais uma vez à porta e informaram-me de que o ministro das finanças ia reescalonar as taxas de IRS, de modo a torna-lo mais progressivo.
Imaginando que iam poupar os rendimentos mais baixos e taxar fortemente os mais altos, pensei que o Governo, finalmente, voltava ao trilho da lei.
Mas para surpresa minha, voltaram a bater-me à porta para me ameaçarem com aumentos brutais no IMI. A minha indignação transformou-se em ira e juntei-me ao movimento nacional de resistentes ao pagamento do IMI.
Ainda mal refeito do choque do IMI, bateram-me novamente à porta para me mostrarem nos jornais, em grandes parangonas e cinco colunas, os novos escalões de IRS. Afinal aumentaram as taxas dos rendimentos mais baixos, menos os dos mais altos e não criaram nenhum escalão para os mais ricos. E a progressividade do rei dos impostos diminuiu. A minha raiva subiu de tom e resolvi que estou preparado para qualquer acção revolucionária que apareça. Ao fim e ao cabo eu o meu pai e a minha família já não temos nada a perder.

Vamos finalmente votar e deixar-nos de mentiras e crenças falsas de que o voto nulo, branco ou abstenção, possuem algum poder ou valor.
Os corruptos fazem tudo para levar os eleitores a acreditar que a abstenção e o voto nulo e branco, possuem um valor sentimental muito grande e poderoso... Pois mas esse valor, é apenas o que o eleitor vê ou imagina, porque na realidade não possuem valor nenhum. Servem apenas para desviar e desperdiçar milhões de votos que poderiam ser usados contra eles, que são desviados para o vazio. Para a nulidade.
Está bem explicito na lei que apenas os votos válidos possuem valor e legitimam aquele que tiver mais votos válidos, independentemente dos brancos, dos nulos, da abstenção e dos que os eleitores rabiscam com piadinhas de ódio ou de descontentamento...
Para os políticos corruptos, enquanto o povo estiver entretido a manifestar o seu descontentamento de forma inócua, e inofensiva, eles estão tranquilos a ganhar eleições sem qualquer luta ou esforço, bastam os militantes e amigos votarem, que o poleiro está garantido... nada nem ninguém se opõe. Os eleitores continuam a brincar ás revoltinhas ilusórias pensando que estão a punir os políticos com votos nulos e com a abstenção...




3 comentários :

  1. Os agentes da PSP deverão passar a receber suplementos remuneratórios para compensar os cortes salariais já em Abril. Esse é um dos resultados da reunião ocorrida nesta sexta-feira entre os sindicatos afectos à PSP e o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. Da minha parte, tal como o tinha feito com os suplementos remuneratórios que o Governo regional açoriano aprovou para os seus funcionários públicos, vejo com bons olhos uma medida que neutraliza a medida que lhe deu origem, o confisco de parte significativa dos seus salários, uma aberração à luz da nossa Constituição. Da parte do Governo, o mesmo que aprovou os cortes e também o mesmo que estrebuchou quando o Tribunal Constitucional não encontrou qualquer inconstitucionalidade nos suplementos açorianos, é que se torna difícil explicar qual é a lógica de tirar com uma mão para imediatamente a seguir compensar com a outra sem ver nesse gesto a mesma inconstitucionalidade que apontou ao Governo da Região Autónoma dos Açores. Talvez a lógica do “fui eu que fiz, é bem feito”. Talvez a lógica do “eles são polícias, deixa cá ter cuidado com eles, até porque andamos a fazer mal a muita gente e há-de dar jeito tê-los do nosso lado para reprimir eventuais reacções mais enérgicas nas ruas”. E seguramente a falta de lógica de que sempre padecem as decisões tomadas por uma quadrilha de garotos que só sabe é fazer porcaria atrásde porcaria. O papá Cavaco que volte a limpar-lhes o rabinho. Valeu a pena subir as escadarias do Parlamento.

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  2. Concordo, bom comentário!

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  3. Agradeçamos ao reformado algarvio e a quem o elegeu para todos os cargos repetidamente mesmo depois da destruição de todo o sector produtivo,das estórias das escutas, das acções do BPN, ...

    Só temos o que merecemos, lamento!

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