13 outubro, 2013

Vai ser necessário um segundo resgate que nos salve do primeiro e nos ajude a criar condições para que, dentro de dois anos, possamos pedir o terceiro.


"Basta olhar para nós. Tudo está ao contrário, está de cabeça para baixo. 
Os médicos destroem a saúde, os advogados destroem a justiça, as universidades destroem o conhecimento, os governos destroem a liberdade, a grande comunicação social destrói a informação e as religiões destroem a espiritualidade".  Michael Ellner

A ironia que expõe o ridículo e a incompetência dos que nos desgovernam há décadas, por Ricardo Araújo Pereira

"Uma vez que não chegavam à Grécia Antiga notícias do Portugal Moderno, Aristóteles entreteve-se a formular, sem qualquer remorso intelectual, o princípio da identidade. Uma coisa é o que é, disse ele com leviandade e desfaçatez.
2400 anos depois sabemos que, em Portugal, uma coisa raramente é o que é.
O ajustamento desajusta, o irrevogável revoga-se, a requalificação não requalifica, o resgate não resgata e no dia do regresso aos mercados não se regressa aos mercados.
Deve ser bem pouco estimulante viver num mundo em que as coisas são meramente o que são.
Mas nós, que vivemos num mundo em que as coisas são outras coisas, não temos sabido aproveitar essa sorte. Quando a própria realidade é troca-tintas, a vida torna-se uma questão de perspectiva. E cada um pode escolher a que lhe serve melhor.
Por exemplo, o BPN não é o pior banco português, é o melhor. Em toda a história da banca portuguesa, foi a única instituição a merecer a confiança de todos - mesmo todos - os portugueses. Não há nenhum português que não tenha dinheiro depositado no BPN. Sem grandes campanhas publicitárias nem ofertas mirabolantes, conseguiram que todos os portugueses pusessem lá dinheiro. Em vez de condená-los, vamos aprender com eles.
O mesmo se passa com o chamado segundo resgate. Há dois anos, o País não conseguia baixar o défice nem controlar a dívida. Veio o primeiro resgate, fizemos sacrifícios históricos, e hoje não conseguimos baixar o défice nem controlar a dívida. Portanto, é necessário um segundo resgate que nos salve do primeiro e nos ajude a criar condições para que, dentro de dois anos, possamos pedir o terceiro.
Ora, o que eu proponho é que, falhado o programa de ajustamento, Portugal não peça agora um segundo resgate, mas sim o terceiro.
São só vantagens: ninguém estranha, porque toda a gente sabe que não somos muito bons com números; evitamos a aborrecida discussão sobre os malefícios do segundo resgate, uma vez que afinal é o terceiro; transformamos os resgates num hábito. Deixam de ser uma grave situação anormal e passam a ser um procedimento financeiro de rotina. É tempo de investir naquilo em que somos bons, e nós somos bons a falhar metas e a pedir resgates. Acumular resgates não é sintoma de falhanço económico, é gosto pelo coleccionismo. E as colecções são valiosas. Quem sabe se, no futuro, um daqueles milionários chineses não deseja comprar-nos a colecção de resgates por um balúrdio? Seria a salvação do País. Depois, bastava investir essa fortuna num banco e em várias PPP, e a seguir começar tudo de novo. E ainda dizem que não há alternativas."
Ricardo Araújo Pereira







4 comentários :

  1. Vai ser necessário que paremos imediatamente com isto organizando uma caça aos criminosos – banqueiros ladrões, políticos e gestores corruptos e jornalistas venais. Que se formem pequenos grupos e que cada um procure a sua presa e lhe limpe o sebo.

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    1. Somos um povo de brandos costumes. Podem abusar de nós à vontade.

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  2. Isso seria o que estes nojentos mereciam, mas assim não resolviamos nada, pois eles são imensos e têm uma data de paraditas em compadrio, mesmo que nos livrássemos de uns tantos, eles invocavam lei marcial e ou recolher obrigatório, e ainda nos prendiam mais. Proponho antes tirarmos partido de uma das mais antigas características dos Lusitanos " povo estranho que não governa, nem se deixa governar", ou seja retaliar pela calada, desobedecer a algo que esteja errado, sempre que possível, deixar os bancos, expecialmente o Bes o mais descalço
    possível, defendermo-nos o mais sonsamente e calmamente, mas firmemente posdível. Pois eles estão ansiosos de terem pretextos para nos prender e controlar ainda mais. Se lhes limparem o sebo, façam como eles, oops foi azelhice de quem se foi...nunca, mas nunca se deixem apanhar e não se enganem na escumalha...o perigo dessas arrumações ecpurgos da sociedade é poder ferir inocentes. Era importante em força e com os outros países do Sul, desmancharmos a UE e sobretudo sairmos do Euro. Esa aberracção que foi feita em nome da Paz foi uma artimanha porca e chica esperta para escravizar os Europeus e dar poder à máfia corporativista internacional, sempre, sempre om os traidores dos países envolvidos. Coitados sabem pouca história. O dia deles há-de chegar.

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    1. O dia deles há-de chegar? Será? É que o nosso já chegou.

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