09 março, 2013

Mais uma farsa para proteger a malta do rendimento.


Afinal quem viveu acima das possibilidades? Quem contraiu a maior fatia de dividas à banca
"Quando alguém lhe disser que “gastamos acima das possibilidades” poderá recomendar a quem o diz a leitura de um estudo do Banco de Portugal e do INE chamado “Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010”, publicado em Maio de 2012.
Lendo o quadro abaixo, incluído nesse estudo, fica-se a saber que, em 2010:
 CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR 
A maior parte das famílias portuguesas (63%) não devia nada aos bancos ou a qualquer outra instituição financeira;
A maior parte das dívidas das famílias dizia respeito à aquisição de habitação (24,5% das famílias portuguesas estavam a pagar empréstimos que tinham contraído para adquirir habitação principal);
Poucas famílias tinham outras dívidas (3,3 % tinham contraído empréstimos para adquirir outros imóveis 13,3% tinham contraído empréstimos para outros fins e apenas 7,5% estavam a pagar empréstimos obtidos com cartão de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários);

Quem deve é quem tem maior rendimento e riqueza (nos 10% das famílias com maior rendimento, 57,4% das famílias eram devedoras; no grupo das 20% com menor rendimento apenas 18,4% das famílias estavam endividadas);
Se continuar a ler (quadro 11 do estudo) verificará também que quem mais deve é quem mais tem (a dívida mediana da classe de rendimento mais elevada é cerca de duas vezes maior do que a da classe de rendimento mais baixo, a dívida mediana da classe de riqueza mais elevada é quase seis vezes maior do que a da classe de rendimento mais baixo).
Não será o plural no “gastamos acima das nossas possibilidades” no mínimo um pouco exagerado?
Fonte: Banco de Portugal e INE, “Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010”, Maio de 2012.
José Maria Castro Caldas


9 comentários :

  1. "P'ra mentira ser segura
    E atingir profundidade
    Tem de trazer à mistura
    Qualquer coisa de verdade"
    (António Aleixo)


    Soneto quase inédito - José Régio (1969)

    "Surge Janeiro frio e pardacento,
    Descem da serra os lobos ao povoado;
    Assentam-se os fantoches em São Bento
    E o Decreto da fome é publicado.

    Edita-se a novela do Orçamento;
    Cresce a miséria ao povo amordaçado;
    Mas os biltres do novo parlamento
    Usufruem seis contos de ordenado.

    E enquanto à fome o povo se estiola,
    Certo santo pupilo de Loyola,
    Mistura de judeu e de vilão,
    Também faz o pequeno "sacrifício"
    De trinta contos - só! - por seu ofício
    Receber, a bem dele... e da nação."

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    1. "O mundo só pode ser
      Melhor do que até aqui,
      Quando consigas fazer
      Mais p'los outros que por tí!"
      (António Aleixo)

      Um beijo Zita...

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    2. Espero que os des(governantes) tenham acesso a esta página!

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    3. Eles acesso à página têm, não têm é vontade de mudar a belíssima vida que levam à custa de parasitas e "otários".... que ainda votam neles cegamente.

      Obrigada pelo poema do Aleixo, muito bonito...

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  2. Quem pensa que tudo sabe,
    Não se apercebe concerteza;
    Que um dia talvez acabe
    Por saber o que é tristeza.

    (Jorge de Sousa)

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    1. Similar ao Régio e ao Aleixo...

      Eu pouco ou nada sei,
      Apenas conheço da minha tristeza
      O fado da egrégia desdita Portugueza
      Criada por quem rouba à sombra da lei;

      …e,como aos demais já nem me queixo!

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  3. ver Despacho 5776/2011 Diário da República

    Era uma vez um banqueiro
    a Dona Isabel ligado.
    Vive do nosso dinheiro,
    mas nunca está saciado.

    Vai daí, foi a Belém
    E pediu ao presidente
    que à sua Isabel também
    desse um job consistente.

    E o bom do senhor Cavaco
    admitiu a senhora,
    arranjando-lhe um buraco
    e o cargo de consultora.

    O banqueiro é o Fernando,
    conhecido por Ulrich,
    e que diz, de vez em quando,
    «Quero que o povo se lixe!».

    E o povo aguenta a fome?
    «Ai aguenta, aguenta!».
    E o que o povo não come
    enriquece-lhe a ementa.
    com a devida vénia à Isabel:

    "E ela, Dona Isabel,
    com Cavaco por amigo.
    não sabe da vida o fel
    nem o que é ser sem-abrigo.

    Cunhas, tachos, amanhanços,
    regabofe à descarada.
    É fartar, que nós, os tansos,
    somos malta bem mandada.

    Mas cuidado, andam no ar
    murmúrios de madrugada.
    E quando o povo acordar
    um banqueiro não é nada.

    É só um monte de sebo,
    bolorento gabiru.
    Fora do banco é um gebo,
    um rei que passeia nu.

    Cavaco, Fernando Ulrich,
    Bancos, Troikas, Capital.
    Mas que aliança tão fixe
    a destruir Portugal!"

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  4. Se o Otelo Saraiva de Carvalho tivesse cumprido o que disse, talvez não tivéssemos chegado a este ponto.Todos os fascistas para o campo pequeno e fuzila-los, santa mezinha.

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