27 fevereiro, 2013

RELVAS O CENSURADOR CENSURADO


Mais uma vez os partidos são forçados a ostentar a sua união, sempre que é preciso, fazer frente ao Zé Povinho, aquele que já há muito se tornou seu inimigo.
Sempre que o medo espreita, sempre que sentem a sua fortaleza imponente de poder e arrogância, a ser abalada pela justiça do povo, porque mais nada a consegue abalar, ei-los que se unem, amedrontados.
O povo ferve de revolta, atreve-se, pois começa a perceber que nos políticos, pouco há a respeitar. 
O povo percebe de que lado está a força. Eles têm os milhões, mas nós somos 10 milhões...
O povo percebe que os políticos se protegem uns aos outros e se escudam na justiça, porque sabem que o único e real adversário, deles, somos nós, o povo saqueado e injustiçado, e não os partidos da oposição.
O povo cansou-se da arrogância anti democrática dos políticos que lhes permite achar, que pelo simples facto de serem políticos  merecem todo o respeito, todos os cargos, toda a liberdade e impunidade. Esta mentalidade de "casta protegida" terá de acabar um dia, e esse dia está a chegar. A justiça, o respeito e o mérito conquistam-se, não se compram de passagem, nas jotinhas. Numa democracia todos devem ser responsáveis e responsabilizados, pelo que fazem, todos devem acreditar na meritocracia e não na  "pureza da raça" no nepotismo.
Quem são estes senhores para virem falar em democracia? Onde está o poder do povo? Onde está o direito do povo, de punir políticos que mentiram, que mentem e que se sem o menor pudor ou responsabilidade, decidem o futuro de Portugal?
Onde está o direito do povo decidir em referendos? Em petições? Em votos? E agora pretendem cerrar fileiras contra os que falam, mesmo sem poder?
Alguns extractos, interessantes, de um artigo de Daniel Oliveira.
"Já ontem aqui escrevi sobre a absurda conversa em torno de uma suposta violação da liberdade de expressão de um ministro que mandou despedir um cronista que na rádio pública, o criticava e que tutela o administrador que mandou sair uma circular interna na RTP, que impede os funcionários de fazerem declarações públicas sobre a empresa. Mas hoje queria falar de algumas reações de alguns políticos da área do PS a estes acontecimentos.
(...)Espanhóis, gregos, italianos, franceses, ingleses... a generalidade dos povos ficaria de boca aberta ao saber que os protestos ruidosos mas pacíficos no ISCTE mereceram sequer este debate em torno dos direitos fundamentais de um ministro. Só pode estar tudo doido.(...)

Francisco Assis e Augusto Santos Silva vieram em socorro de Miguel Relvas. Não se deram ao trabalho de procurar muitos argumentos e usaram o que estava já no mercado: a estapafúrdia ideia de que a liberdade de expressão do ministro estava em perigo. (...)
A posição destes dois dirigentes políticos em concreto não me espanta. Há quem, tendo sido e esperando voltar a ser governo, não queira ser incomodado pela populaça.
E esta cultura de casta sobrepõe-se à sinceridade do confronto político. A política é um mero jogo retórico que acaba sempre e apenas na alternância no exercício da governação - Assis até já veio defender uma coligação governamental entre o PS, o PSD e o CDS, para que se dispense essa parte do jogo.
(...)E vejo como observam, atónitas, entre a depressão e a raiva, a permanência de um sujeito como Miguel Relvas no governo. Um sujeito que ninguém quer a governar mas que, por mais e pior que seja o que se vai sabendo sobre ele, se mantém agarrado ao lugar.
(...) Compreendo que a indignação dos cidadãos seja uma maçada. Que retira ao jogo político a sua prazenteira bonomia. Mas é bom que percebam que estão a brincar com o fogo. Porque é a sobrevivência das pessoas que está em causa.

Portugal é um País pequeno. Na elite política, económica e cultural toda a gente se conhece. Eu, pobre colunista, conheço Assis, Santos Silva e Relvas. Isto é um penico. E essa é uma das nossas tragédias. Somos todos uns para os outros. Ou amigos, ou amigos de amigos, ou conhecidos, ou conhecidos de conhecidos. Por isso, desde que bem colocado, ninguém com o mínimo de poder é realmente punido pelos seus atos. Por isso, não se irradia da política quem nunca nela devia entrado. Tudo se lava, tudo passa. E o espírito de casta que a nossa pequenez alimenta faz com que Assis e Santos Silva, pessoas de quem discordo mas a quem reconheço honestidade, olhem para uma figura como Relvas e o vejam como um par. Poderão vir a ser eles a estar naquele lugar, pensarão. E estar no lugar dele, entenda-se, não é ter a sua liberdade ou os seus direitos cívicos em perigo (se assim fosse, até eu vinha em defesa do inenarrável Relvas), mas apenas ouvir os protestos de uma plateia. Uma plateia, veja-se o descaramento, que não trata Relvas por "sua excelência".
(...)Oponho-me à violência da rua e à violência do Estado. Considero-as duas faces da mesma moeda. Mas sei uma coisa: que ou deixam as pessoas expressar a sua indignação de forma pacifica, ou as deixam participar na vida da comunidade manifestando o seu incómodo por serem governadas por gente como Relvas, e veem isso como sinal de um País que ainda reage e de um povo que ainda tem algum amor próprio, ou elas acabarão por o fazer de outra forma. E aí, caro Francisco Assis e Augusto Santos Silva, não será Miguel Relvas o alvo. fonte

E nós somos de vitimas de quem? 
"Deputado do PS critica “rapaziada” com comportamento “arrogante e intolerante”. (...)
Quem o diz é Francisco Assis, deputado do Partido Socialista (PS), num artigo de opinião que hoje assina no "Público", onde sai em defesa do ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares.
Assis diz que “essa rapaziada, com a minúscula desculpa de uma certa inconsciência, usou de uma violência incompatível com a afirmação do primado da liberdade”, quando forçou o ministro a sair sem ter tido oportunidade de discursar.
Para Francisco Assis “Miguel Relvas foi vítima de actos civicamente inaceitáveis e, por isso mesmo, condenáveis. Ponto final”. (...)  fonte

10 comentários :

  1. Este palhaço do Assis não é nenhuma oposição, mas sim farinha do mesmo saco que o relvas. Canalha de políticos de merda. O País está pior que antes da troika. Tudo na miséria, mas os corruptos cheios de dinheiro. As mordomias nunca se cortam, enquanto os otários não se revoltarem. Mas alguém pense que o PS seja capaz de governar em condições? Não vamos em cantigas. Isto para voltar a ter um País como deve ser, temos de cortar com as reformas chorudas dos políticos reformados não passar os 2.500€, com os salários dos gestores públicos, não passar 2.500€ por mês, acabar com a frota automóvel de marca da BMW, Mercedes, Audi, Lexus, acabar com os cartões crédito. Aumentar o salário minimo para as pessoas terem poder de compra, baixar o custo de vida, tipo baixar a sério a gasolina, baixar o iva que no final iam ter mais receita fiscal. Mas esta classe parasita não vê quando mais se aumenta o iva, há menos receita fiscal, porque baixa drasticamente o consumo. O fundamental é o custo de vida baixar porque o salário de 500 a 600€ , não é capaz de fazer as despesas mensais mais básicas.

    Fernando

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    1. Palhaço, é uma caracterização demasiado benévola.

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  2. Este é um bom tema.

    Muito por expor ao ridículo putativos intelectuais, como o Augusto Santos Silva.
    Personalidade instável, de atitude padreca com sibilino timbre vocálico.

    Augusto SS é situado, nos meus pobres arquétipos, sob a capa política de um Richelieu: eminência parda, sem perfil para líder mas, que em constantes sinusoides políticas, se vai evidenciando principalmente, ao tentar justificar pela positiva, o muito de negativo que induz outros a fazer.

    Augusto SS, foi o refúgio intelectual de um deficiente académico na política: Sócrates Pinto de Sousa.

    Percebendo a fragilidade deste que, como qualquer carente intelectual, evidenciava admiração por qualquer tosco funcional que dele se aproximasse, exibindo um título de prof. dr. (independente da risibilidade do doutoramento).

    Augusto SS vendeu-se como chancela académica dos disparates, que a gritaria esquizofrénica, diária, de Sócrates Pinto de Sousa impunha e, veja-se só... chegou a ministro neste país.

    Vermes desta dimensão deveriam ser rapidamente esmagados com seus chefes. Mas, não!

    A soberba é tanta que, como qualquer réptil encurralado, ainda se atreve a exibir a língua bífida na defesa do indefensável, promovendo nos media a sua imagem em queda livre e, quiçá, agradecendo algum favorzito que o Relvas lhe tenha feito, a si, ou à sua família...

    É que a troca de favores entre políticos é uma das maiores vergonhas do nosso sistema!

    A propósito: Em quê, se terá doutorado o Augusto?

    Era engraçado haver na net um site do ministério da educação com a discriminação nominal das teses de doutoramente obtidas em Portugal (em instituições públicas e privadas).



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    1. Muito obrigada por este seu contributo... precioso.
      Adorei. Não só a forma, como também o conteúdo.

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    2. Os contributos para este blog devem, na minha opinião, tentar nivelar com a atitude política da sua autora.
      Eu esforço-me nesse sentido...

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    3. Obrigada pelo elegantíssimo e discreto elogio, mas obviamente o seu comentário supera o blog. Por isso são importantes estes contributos, enriquecedores que somam informação e beleza e ao mesmo tempo, vão de encontro aos gostos de outras pessoas que tendem a gostar mais do seu estilo.

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    4. Dr. Economicus23 julho, 2014 00:27

      Roçando o "inconseguimento" acefálico, estas criaturas de aura triste, pisam os pobres do pais, vergados pelo pesado destino dum pais a afundar no seu próprio output fétido, tentando ser mais, que a sua própria miséria.

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  3. http://www.youtube.com/watch?v=RUzclPUlueg

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  4. Dr. Economicus.23 julho, 2014 00:35

    Portugal é um pais pequeno para tanta corrupção diária.
    Demasiado pequeno mesmo, para transportar tamanha carga pesada.

    A curva de gauss da corrupção, quem paga, quem recebe, quem mais paga mais recebe, se observarmos em 3D, temos o esforço do cidadão; não recebe, só contribui , decretado por LEi.

    Sendo que, se desconsiderarmos ou eliminarmos o fator cidadão, a curva deixa de funcionar, a corrupção acaba.

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