21 outubro, 2012

Nova versão dos Lusíadas. Acorda Portugal, Camões está a chamar.

pobreza divida resgate

Se Camões fosse vivo, reescreveria assim os "Canalhíadas":
I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!
II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!
III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.
IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!
                                           Luíz Vaz Sem Tostões

O original... já sem a glória, de uma pátria que sucumbe, nas mãos de um povo manso e tolerante, com os que o escravizam e roubam.
Os Lusíadas (Canto Primeiro) por Luís Vaz de Camões
1
As armas e os barões assinalados,

Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

2


E também as memórias gloriosas

Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

3


Cessem do sábio Grego e do Troiano

As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

4


E vós, Tágides minhas, pois criado

Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene.




5 comentários :

  1. Bom dia, Zita !

    Que excelente post !

    Parabéns !!!

    É óbvio que vou partilhar.

    Saudações a todos.

    ResponderEliminar
  2. Excelente!
    Congrats!

    ResponderEliminar
  3. Isto e ridiculo.

    Os numeros sao mil vezes os indicados e ninguem diz nada!!!

    ResponderEliminar
  4. Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote (88anos)digo simplesmente que gostei imenso de ler êstes Cantos de Luiz Vaz sem tostões,pois êle,conhecedor dos Lusíadas,tem àlém de uma enorme capacidade de análise da pulhice humana,também uma enorme capacidade poética na perfeita rima das oitavas dos Lusíadas que eu aprecio e que leio de vez em quando para matar saudades.

    ResponderEliminar