17 maio, 2012

Mário Soares faz fortes criticas à justiça e à austeridade usurária...

Extractos de um artigo escrito por Mário Soares.
Reformas anuais de ex presidentes
AVISO IMPORTANTE:
NÃO DEFENDO NEM SOU SEQUER APRECIADORA DE MÁRIO SOARES, MUITO MENOS DOS PARTIDOS DO ARCO DA GOVERNAÇÃO, APENAS PARTILHO ESTE TEXTO POR CONTER ALGUMAS VERDADES... MAS COMO TODOS SABEMOS, NA OPOSIÇÃO, TODOS FALAM VERDADES, PELO MENOS AS QUE LHES CONVÊM. Este blog promove o debate a literacia politica e incentiva cada um a pensar por si e a partilhar opiniões, por isso exponho a dele.  

(Tomei a liberdade de colocar links no artigo que encaminham o leitor para outros artigos que exemplificam ou complementam o tema.)
"1. A semana passada trouxe-nos fortes sinais de que a Europa está a mudar.
Os europeus, dos vários Estados, perceberam, finalmente, que as políticas de austeridade, para agradar aos mercados usurários, não nos conduzem a nada de bom. Levam os Estados europeus e a Europa da zona euro à desagregação e à decadência. A chanceler Merkel sentiu, finalmente, que os seus parceiros europeus não só não querem obedecer-lhe e, pelo contrário, começam a conspirar contra a sua política, procurando reduzir a recessão, que paralisa a economia real, em favor da virtual, e aumenta, por forma socialmente inaceitável, o desemprego.

Já não são só a Grécia, a Irlanda e Portugal as vítimas dos mercados e das perigosas agências de avaliação. Também o são países grandes como a Espanha e a Itália, e outros pequenos mas ricos, como a Holanda, cujo Governo caiu, e a Roménia, cujo Governo foi deposto e substituído por um novo primeiro-ministro socialista. E outros, que começam a estar em dificuldades, como a Eslováquia, a Eslovénia, a República Checa e a própria Finlândia. Com um panorama tão sombrio e num tal contexto, a chanceler Merkel, com problemas internos que se estão a agravar e uma Oposição a crescer -  parece óbvio que vai ter de mudar de política: em vez da austeridade usurária, que até agora considerou bem-vinda nos outros Estados - não na Alemanha - terá de aceitar a luta contra a recessão e, igualmente, contra o desemprego.
3. E Portugal? Os portugueses estão muito descontentes e temerosos. O caso não é para menos. Com a troika a comandar - em nome dos mercados - grande parte dos portugueses, os trabalhadores e parte da classe média perderam os seus empregos e estão a passar muito mal, alguns com fome. Os suicídios cresceram, bem como a criminalidade. O que não pode agradar a nenhum patriota que se preze. (...)

A austeridade, como se está a reconhecer agora em toda a zona euro - mesmo no Reino Unido -, não nos leva a lado nenhum. A não ser, para os que a sofrem, cada vez a piorar. As próprias instituições europeias começam a reconhecê-lo. (...)
No mesmo sentido o americano Spencer Oliver, secretário-geral da (OSCE), deu uma larga entrevista ao jornal Barlavento em que afirmou: "a crise financeira foi provocada pela ganância de Wall Street". E que para a vencer é preciso, como demonstrou o Presidente Obama, de que é correligionário, lutar contra a recessão, o desemprego e em favor do Estado Social. 
Cito-o de novo: "As críticas devem ser apontadas aos sistemas financeiros, aos resgates e aos estímulos que canalizaram avultadas somas para salvar muitos banqueiros, que foram os primeiros responsáveis pela actual situação."
Actual governo na sua maioria, só vêem a austeridade, ignorando - o que pode vir a ser trágico - a recessão, o inaceitável desemprego, sempre a crescer, e o desespero em que se encontra a maioria dos portugueses. O Governo que se acautele porque, como disse acima, está a remar contra a corrente europeia. Além disso, está paralisado, não explica ao Povo as medidas que toma nem as privatizações que pretende fazer e, por isso, está cada vez mais isolado...

4. (Em relação ao BPN escreveu) O diretor, João Marcelino, escreveu "Não é tolerável, com efeito, que na sociedade portuguesa continue a fazer caminho a perigosa ideia de que a Justiça é cega e incapaz de agir perante os poderosos.
É aqui que está o busílis. A criação do BPN começou em 1983, a Sociedade Lusa de Negócios, em 1988. Em 2007 o Banco de Portugal pediu ao Grupo SLN/BPN que clarificasse a sua estrutura e procedesse à separação das duas instituições
Aí começaram as dificuldades. Em 2008 Miguel Cadilhe foi eleito presidente do Grupo. E numa entrevista que deu ao mesmo Diário de Notícias de domingo passado, diz, com a sua autoridade - cito - "O que se passou no BPN é a maior, a mais continuada e ostensiva fraude na banca portuguesa." E, no entanto, a Justiça parece estar cega e silenciosa perante as personalidades que são referidas como responsáveis dos abusos e também praticadas pelo BPN. Algumas delas, como se escreve no referido DN, na mais alta esfera do Estado, como o actual Presidente da República.
Ora a Justiça não pode manter o silêncio sobre tais acusações. Porque se o fizer está a dar um golpe fatal no pouco ou nenhum prestígio que a Justiça ainda possa ter. O que é gravíssimo para o nosso Estado de Direito e para a nossa Democracia. Sobretudo no período de emergência que temos tido e com os golpes profundos nas pensões e nos empregos dos nossos trabalhadores e da classe média... O Ministério da Justiça tem o dever de atuar." DN




9 comentários :

  1. Para mim isto não é novidade nenhuma, pois já há muitos anos que eu sei, e muita gente sabe, que Portugal e o mundo estão a ser governados por uma seita de bandidos da pior espécie, são um gangue com instintos satânicos, sem o mínimo de sensibilidade para com o povo, mas no entanto, o povo continua a dar-lhes um voto de confiança. Não há volta a dar, o povo gosta de ser submisso, por isso, novidades mesmo, é só quando lermos ou ouvirmos notícias de bons atos políticos, aí poderão dizer que algo está a mudar para melhor, de resto será sempre para pior.

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    1. Algum dia a volta terá de ser dada... e para isso temos uma tarefa para levar para frente, como cidadãos, temos que divulgar, espalhar a verdade para que os portugueses deixem de votar em criminosos.
      Alertar familia, amigos, vizinhos, todos que pudermos, começar pela nossa área de influencia a tentar mudar mentalidades entorpecidas que foram manipuladas durante décadas, mas que começam a acordar.

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  2. Não acredito nisso, milhares de pessoas como nós, passamos noites em claro e perdemos muitas horas a escrever nesta máquina diabólica, para tentar alertar as pessoas mais desatentas, mas acho que é em vão, e chego a pontos de pensar que estou a fazer figura de urso, estar a perder o meu tempo a divulgar no meu blogue e no facebook alertas e opiniões sobre o que nos afecta diariamente, e nada, continuo a ver as pessoas desinteressadas e fugindo da realidade. Lutar contra as paredes é inútil, lamento o meu pessimismo, mas infelizmente, apenas estou a ser realista.

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    1. Partilho do seu pessimismo... mas não podemos ser tão pretensiosos ao ponto de querer mudar as coisas só porque assim queremos, nem podemos ser tão desmotivados ao ponto de acreditar que não mudamos nada. Há muita gente que vai acordando por aqui e por ali as pessoas vão sabendo mais coisas. Não podemos esquecer que as grandes revoluções demoram décadas até que se sintam os seus efeitos. As culturas e as mentalidades são coisas difíceis de mudar e de mudanças lentas. Infelizmente é assim, mas nem por isso se deve desistir.
      As novas gerações já terão uma visão diferente e os políticos terão de mudar ou desaparecer. Quando? Não se sabe, mas é assim que funciona.
      Na Islândia as coisas foram mais rápidas mas é um país mais pequeno e tiveram a sorte de encontrar um politico que se colocou do lado deles, algo impensável aqui em Portugal.... Por enquanto...

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Concordo!! Mas a verdade é que as pessoas não querem saber, continuam a fugir sem encarar de frente a realidade, mesmo as gerações mais novas. Quando tento abrir os olhos a alguém, os comentários que ouço são sempre do tipo: "safe-se quem puder e quem não o fizer é porque é parvo de não ter aproveitado a oportunidade"!! Assim fica difícil manter a motivação... Já me cansei de publicar no facebook...sinceramente, a melhor forma que vejo para tentar mudar o estado actual de coisas, é fazendo-o por dentro. Só tendo uma voz e um palco dentro do local onde possa ser ouvido e de onde não me possam tirar é que posso fazer barulho...sinceramente, acho que publicar ajuda, mas resolver só mesmo por dentro do sistema, mantendo sempre a integridade moral e política! Posso estar a ser idealista, mas é a única forma efectiva que vejo de mudar este estado de coisas!! Temos que ser nós a criar a alternativa e não ficar à espera que sejam os próprios corruptos a tirar a gamela da sua frente, isso NUNCA vai acontecer!!

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  3. E muito complicado, os portugueses como dizia Saramago e um povo "aborregado" Partilho do seu pessimismo. Nao vivo em Portugal e embora seja triste de dizer, ainda bem que me vim embora. Estou no Canada, vai fazer este ano 3 anos e sobretudo para os meus filhos, foi a melhor decisao que tomamos. O mario Soares embora tenha razao no que disse, tambem e um dos da corja de ladroes. Da direita a esquerda nao ha nenhum que se aproveite. Ha uma ausencia total de gente seria a governar-nos. O problema grave e esse. Desculpem a falta de acentuacao, mas os teclados sao diferentes

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  4. É triste ouvir pessoas a dizerem que se foram embora do país onde nasceram e que foram bem acolhidas num país estrangeiro, enquanto aqui, o nosso primeiro-ministro diz para as pessoas irem para o estrangeiro. Pai que põe os filhos fora de casa apenas porque não tem pão para lhe dar, não merece a mínima consideração nem respeito, é odioso, cruel e imperdoável, sinto uma revolta tão grande dentro de mim, que me custa viver com este sistema político, em que iludem as pessoas de que a democracia é que é o futuro, e depois deparamos que caímos na armadilha de um jogo de interesses onde se alimenta os corruptos, e se mata à fome quem produz e é escravo subserviente do capitalismo selvagem sem escrúpulos, que mergulham o mundo na obscuridade, numa miséria sem igual.

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  5. Os Portugueses comem demasiado queijo

    Comparado com o que se passa agora, os problemas com Mário Soares foram muito mais graves porque existiam meios para os combater, nomeadamente a Política Económica que era controlada por nós. Neste momento somos um protectorado cuja Política Económica é definida pelos estrangeiros que nos ocupam.
    Por isso só com a saída do Euro nos poderemos safar, apesar dos Economistas portugueses afectos às grandes empresas, às multinacionais e às organizações tipo Clube de Bilderberg e Trilateral, andarem, constantemente a meter-nos medo com o adeus ao Euro e à UE. Mário Soares é um dos que gostam daquilo ...



    Quem diria!
    Mas o autor destas pérolas, será o mesmo´Mário Soares, que ainda ontem, enlaçado ternamente com a esquerda mais radical se abanava todo a cantar o Grândola vila morena?

    É preciso ter muita lata, memória muito curta (isto da memória ainda se pode dizer que é senilidade ou outra coisa qualquer, mas acho que ainda está lúcido o suficiente, para se deixar de andar nesta cruzada incentivando o povo à revolta, já chegando quase que a apelar ao assassínio dos membros deste governo, quando disse que, por muito menos assassinaram o D.Carlos, esquecendo-se que ele próprio, fèz e causou ao povo os mesmos apertos e sofrimentos que estamos agora a passar, em grande parte devido à bela governação dos últimos anos, levada a cabo pelo seu partido que, se isto já era frágil eles deram-lhe a machadada final, com tanta negociata e vigarice ainda não explicada!

    É uma pena este pp não lhe chegar ao computador, para lhe refrescar a memória.
    È muito interessante lèr o que ele diz sobre o que se sentia indignado pelo que aparecia escrito nas paredes e muros deste país de norte a sul!!!!!!
    Mas agora, pelos mesmos motivos, nem mais nem menos, acha muito bem que se insultem os governantes aonde quer que vão, interrompam-se os eventos com apupos e outras atitudes do género e até já na própria Assembleia se populariza a baderna em que nem as senhoras Mães dos deputados da maioria e membros do governo são poupadas!!!!!!!!

    Que lindo espírito democratico!!!
    Quem emigrava era eu e já amnhã só para não ter de gastar a minha sanidade mental com tanta pulhice e falta de vergonha.
    Leiam com atenção todos esses excertos de palavras suas ditas à imprenda naquela época e depois digam-me se aquilo não é a maior cara de pau que já andou por aqui!!!Cara de pau e daquele de Cabinda que é bem duro.

    Bom fim de semana para todos se puderem!
    LIZA

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