30 março, 2012

Pico de mortes, jornal "The Guardian", denuncia misérias de Portugal.

medidas de austeridade cortes subsídios
Uma história muitas misérias...
(The Guardian)
"O pico de mortes em Portugal está relacionado com o programa de austeridade. O SNS foi forçado a cortes radicais desde que começaram a executar o plano de resgate do FMI em Maio, os efeitos começaram a sentir-se.

Maria Isabel Martins levantou-se às 5 da manhã para ir de autocarro de Portalegre para uma consulta em Lisboa de diabetes. É uma viagem de 130 Km (3 horas). Antes era grátis o transporte mas já não é.
"Isto é vergonhoso. Agora, cada consulta custa-me € 44 e eu tenho que voltar dentro de 2 semanas"

Há um aviso na parede ao lado de uma máquina que diz que se aceita cartões de crédito. Ela mostra os preços das consultas médicas, num dos países mais pobres da Europa Ocidental, onde os políticos da oposição culpam os cortes no orçamento para milhares de mortes adicionais em fevereiro, 20% a mais do que o habitual.
"Eles subiram as taxas em Janeiro", disse a recepcionista, apontando para as novas taxas para tudo. "Agora, uma emergência custa € 20 em vez de 9 €. Uma  consulta normal  € 7,50. As pessoas estão revoltadas."
O serviço de saúde é apenas uma vítima de cortes radicais e encargos acrescidos para os serviços públicos em todo Portugal.
As previsões oficiais são de que a economia contraia 3,3% este ano e ao aumento do desemprego para 14,5%.
"Eles estão a levar o país para o desastre", disse Arménio Carlos (líder sindical), que acrescenta que como aumentaram o preço da eletricidade, saúde e transporte públicos, os € 432 mensais do salário-mínimo tornaram-se insuficientes, e centenas de milhares de pessoas caem na pobreza.
A companhia aérea TAP e a ANA, operadora do aeroporto, estão à venda, assim como o serviço de correios CTT, concessionárias de água, os bancos do estado, o serviço ferroviário e a empresa petrolífera Galp.
Enquanto isso, o governo culpa a gripe e o frio pela subida acentuada da taxa de mortalidade em Fevereiro, no entanto os jornais publicam histórias assustadoras de que o pico de mortes se deve ás subidas excessivas dos preços do SNS. "
A propósito das privatizações, acima referidas, aproveito para partilhar este video para perceberem o perigo que se esconde por trás das privatizações... o antes e o depois.

No jornal o Público outra história a mesma miséria... 
"No litoral alentejano e no interior, há idosos sem dinheiro sequer para chegar às urgências e que já trocam produtos básicos por medicamentos. Nos centros de saúde, falta tudo. É preciso levantar cedo e apanhar a camioneta. É preciso viajar uma hora e meia até Odemira. E depois é preciso subir o morro devagarinho, já que o centro de saúde se encontra bem lá no alto e é onde funciona o serviço de urgência. De outra maneira, Maria Helena Gonçalves, de 62 anos, residente em S. Martinho das Amoreiras, pequena localidade nos arredores de Odemira, não será observada pelo médico. É que lá não há centro de saúde, só há médico de oito em oito dias, às quintas-feiras, quando vai dar consulta num lar de idosos, em São Teotónio. Quem quiser aproveitar, tem é de pagar. Mas hoje não é quinta-feira. E Helena sente-se doente.
Na sala de espera do serviço de urgência do Centro de Saúde de Odemira, aguarda pela sua vez de ser atendida. Mas à sua frente tem dois doentes mais urgentes, um com suspeita de enfarte, outro com suspeita de AVC. Os dois médicos de serviço estão ocupados em estabilizá-los. Se perder a camioneta das 13h30 para regressar a casa, só voltará a ter transporte à noite, às 19h30. Maria Helena vive de uma reforma muito pequena, não tem dinheiro para pagar táxi e o seu caso não é suficientemente grave para chamar o INEM.
Longe do atendimento médico, sem dinheiro e sem transportes, assim vivem milhares de pessoas no interior do país.
O médico Denis Pizhin, natural da Crimeia, Ucrânia, está sozinho na urgência do Centro de Saúde de Odemira. O outro médico teve de acompanhar um doente em estado crítico até ao hospital de referência da zona, o de Santiago do Cacém, a cerca de 80 quilómetros de distância.
Denis Pizhin, de 31 anos, veio da Crimeia em 2008, logo depois de se licenciar em Medicina. O estágio, já o fez cá. Hoje, é um médico "prestador de serviços", contratado através de empresas que angariam clínicos para os hospitais e, em troca, recebem percentagens.
Por hora, ganha 24 euros brutos, cerca de 15 euros líquidos, diz, com um sorriso crítico. "Quase o mesmo que uma empregada doméstica". Por dia, vê cerca de 60, 70 pessoas, a maioria com situações ligeiras, conta. Os casos mais graves, cerca de 30 por cento, calcula, vão de crises asmáticas a enfartes, que têm de seguir para o hospital de Santiago do Cacém ou para o de Beja.
Faltam medicamentos. Na urgência de Odemira, "há duas semanas que não há soro" habitualmente usado nos hospitais. "Temos de nos desenrascar com outros tipos de soros", diz. "Há sempre falta de medicamentos essenciais", entre os quais medicamentos para evitar os vómitos ou reagentes laboratoriais, como, por exemplo, tropomina, fundamental no diagnóstico de enfarte.
"As populações destas localidades estão evidentemente em risco", afirma o médico. "Passar férias no litoral alentejano, pode ser perigoso". No Verão, "os lisboetas que precisam de ir à urgência, dizem muitas vezes que isto parece África". Fonte
"Hospitais do Norte limitam remédios. Médicos denunciam terapias mais baratas e menos eficazes contra o cancro." CM

Outras misérias relacionadas... 

8 comentários :

  1. Lamento que os portugueses estajam cada vez mais acomodados, não Perceber que a união faz a força.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não existe um objectivo que una as pessoas, apesar de se começar a conhecer a verdade da corrupção que nos desgoverna, ninguém sabe como a combater ou retirar o poder aqueles que abusam dele. Procuramos uma solução mas nem Paulo Morais, presidente do combate à corrupção, nem Marinho e Pinto conseguem vislumbrar uma solução, apesar de denunciarem muitos casos de corrupção...

      Eliminar
    2. Porque mais vale tarde do que nunca... (refiro-me à minha resposta)

      Não se vislumbra uma solução, porque a maioria do povo português é, infelizmente, analfabeto. Históricamente, está provado que onde há educação há revoluções. A razão é muito simples: ao ser educado, o povo vê e percebe claramente como é tratado e usado. O que se passa em Portugal é que 95% das pessoas que têm o 12º ano, obtiveram-no ao fim de 3 meses através do programa Novas Oportunidades, bastando, para o efeito, escrever um "trabalho" sobre a própria vida. Trabalhos esses, muitos dos quais, feitos por familiares ou colegas desse mesmo programa. Tudo isto para passar a falsa imagem de que Portugal é um país com um elevado nível de educação, até porque, caso contrário, seria inviável o nosso país ter acesso a certos e determinados montantes numerários.
      Todos aqueles que estão empenhados em desmascarar os criminosos protegidos pela lei portuguesa, que diáriamente sufocam mais e mais o povo português, irão, brevemente, desistir. Pois, o povo não reage e as suas vidas complicam-se. Mais cedo ou mais tarde irão perceber que estão a travar uma grande guerra em tudo injusta, por um povo que parece incapaz de perceber o que realmente se passa, e se deixa levar com meia-dúzia de comentários falsos e desconexos. Lá está, a falta de educação a provar, também aqui, que a ausência da mesma contribui para o mal estar geral. Não é à toa que dizem que conhecimento é poder.
      No entanto, cruzar os braços e nada fazer é típico de derrotado. Logo, apesar de 90% da população viver na ignorância, ofender quem tenta lhe abrir os olhos e, assim, ajudá-los, a existência de espaços como este que centram informação valiosa neste capítulo, permitindo assim uma fácil e rápida ilucidação, merece ser reconhecida. Isto é, sem dúvida, um dos grandes serviços prestados ao país. Mesmo que a maior parte não tenha a capacidade de perceber isso.
      Um agradecimento ao Paulo Morais e Marinho Pinto. Homens que por um povo sonolento estão a dar a cara e voz, prejudicando-se a eles próprios, enquanto em troca recebem frustração e silêncio de quem parece estar a ver um disco voador.
      Um agradecimento, também, ao criador deste espaço e a todos os participantes.

      Eliminar
    3. BASTAVA O POVO SABER COMO SE VOTA CONTRA OS PARTIDOS CORRUPTOS E PORTUGAL SERIA LIMPO DA CORRUPÇÃO. VOTEM EM PARTIDOS SEM ASSENTO PARLAMENTAR SÓ ISSO TEM VALOR E PUNE OS PARTIDOS CORRUPTOS. Nos paises menos corruptos do mundo a democracia funciona porque as pessoas sabem votar e usam o voto, 90% votam... aqui só temos eleitores ignorantes por isso quem não funciona são os eleitores e não a democracia.
      A abstenção afinal obtém um resultado contrário, ao que pretendem os abstencionistas
      Por isso, o que me chateia na vossa abstenção é a falta de colaboração num trabalho importante. Não é uma questão de direitos ou deveres cívicos em abstracto. O problema é concreto. Temos uma tarefa difícil, da qual depende o nosso futuro, e vocês ficam encostados sem fazer nada.
      Isto tem consequências graves para a democracia. Quando a maioria não quer saber das propostas dos partidos, está-se nas tintas para o desempenho dos candidatos e nem se importa se cumprem os programas ou não, o melhor que os partidos podem fazer para conquistar votos é dar espectáculo. Insultarem-se para aparecerem mais tempo na televisão mentirem para agradar. Vocês dizem que se abstêm porque a política é uma palhaçada mas a política é uma palhaçada porque vocês não votam. Vocês não exercem o vosso dever de votar contra quem faz mal ao país. O vosso de dever e direito de punir os que lesam o país nas urnas.
      A culpa é vossa porque não é preciso muita gente votar em palhaços para os palhaços ganharem. Basta que a maioria não vote.. Basta abanar o pano da cor certa e, se mais ninguém vota, eles ficam na maioria. Mas se vocês colaborassem e se dessem ao trabalho de avaliar as propostas, julgar e punir os partidos que há 40 anos destroem o teu país, se os responsabilizassem pelas promessas que fazem e votassem contra os que mentiram, deixava de haver palhaços, interesseiros e imbecis na política.
      MAIS ARTIGOS SOBRE CIDADANIA E EDUCAÇÃO CIVICA, NESTE LINK, APRENDA A VIVER EM DEMOCRACIA SE QUER QUE ELA FUNCIONE::.. INFORME-SE VEJA ESTE LINK http://apodrecetuga.blogspot.pt/2015/10/percebam-que-abstencao-afinal-obtem-um.html#.WM_ogfmLTIU

      Eliminar
  2. quando um governo, seja de que partido for, ignora estes factos e "culpa" o frio, isso diz muito sobre esse mesmo governo..

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sintomática da nova era que se anuncia, esta doença alastra-se em Portugal causando cada vez mais vitimas: é a pobreza.
      Sem dinheiro para pagarem os remédios, os doentes são obrigados a escolher entre saciar a fome ou cuidar da saúde. A mais emergente impõe-se e a saúde é descurada.
      Mais uma vez a prova de que o governo não tem a noção de que as medidas de austeridade que tomou, são exageradas, perigosas e abusivas para uma classe onde já não havia espaço para mais sacrifícios, uma classe que já vivia à beira da ruptura, e à qual o governo fez o favor de dar o ultimo golpe.
      Agora adoece-se e morre-se por falta de dinheiro.
      Passos Coelho avisou... Custe o que custar vai respeitar a Troika, nem que mate ou desrespeite os portugueses.


      Acesse o Artigo Original: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/02/mais-vitimas-da-austeridade.html#ixzz1qdjOKBOT

      Eliminar
  3. parabéns pelo blogue. . . a guerra da informação prossegue.

    ummundolivre.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  4. BASTAVA O POVO SABER COMO SE VOTA CONTRA OS PARTIDOS CORRUPTOS E PORTUGAL SERIA LIMPO DA CORRUPÇÃO. VOTEM EM PARTIDOS SEM ASSENTO PARLAMENTAR SÓ ISSO TEM VALOR E PUNE OS PARTIDOS CORRUPTOS. Nos paises menos corruptos do mundo a democracia funciona porque as pessoas sabem votar e usam o voto, 90% votam... aqui só temos eleitores ignorantes por isso quem não funciona são os eleitores e não a democracia.
    A abstenção afinal obtém um resultado contrário, ao que pretendem os abstencionistas
    Por isso, o que me chateia na vossa abstenção é a falta de colaboração num trabalho importante. Não é uma questão de direitos ou deveres cívicos em abstracto. O problema é concreto. Temos uma tarefa difícil, da qual depende o nosso futuro, e vocês ficam encostados sem fazer nada.
    Isto tem consequências graves para a democracia. Quando a maioria não quer saber das propostas dos partidos, está-se nas tintas para o desempenho dos candidatos e nem se importa se cumprem os programas ou não, o melhor que os partidos podem fazer para conquistar votos é dar espectáculo. Insultarem-se para aparecerem mais tempo na televisão mentirem para agradar. Vocês dizem que se abstêm porque a política é uma palhaçada mas a política é uma palhaçada porque vocês não votam. Vocês não exercem o vosso dever de votar contra quem faz mal ao país. O vosso de dever e direito de punir os que lesam o país nas urnas.
    A culpa é vossa porque não é preciso muita gente votar em palhaços para os palhaços ganharem. Basta que a maioria não vote.. Basta abanar o pano da cor certa e, se mais ninguém vota, eles ficam na maioria. Mas se vocês colaborassem e se dessem ao trabalho de avaliar as propostas, julgar e punir os partidos que há 40 anos destroem o teu país, se os responsabilizassem pelas promessas que fazem e votassem contra os que mentiram, deixava de haver palhaços, interesseiros e imbecis na política.
    MAIS ARTIGOS SOBRE CIDADANIA E EDUCAÇÃO CIVICA, NESTE LINK, APRENDA A VIVER EM DEMOCRACIA SE QUER QUE ELA FUNCIONE::.. INFORME-SE VEJA ESTE LINK http://apodrecetuga.blogspot.pt/2015/10/percebam-que-abstencao-afinal-obtem-um.html#.WM_ogfmLTIU

    ResponderEliminar